| Meiotom - Crônicas |
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O PAN-PROVACADOR ABUJAMRA |
silas corrêa leite |
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(Ensaio
para um ócio de ódio óbvio sem ópio) Com
ele não é fácil. É uma no cravo e outra na envergadura. Bocudo e
extremamente lúcido. Fora do sério é fora de série. Figura meio Mefistófeles,
meio gnomo, meio homem-rã. Incrível no crível. Boca do inferno uma ova: a
unanimidade é turva. Se as uvas estão verdes, ele é raposa de spot-light.
Mussum-naímico. Um Adoniran de rédeas soltas. Chulo nos chistes, sério no
improviso, alegre, topa tudo por
encrencas das grossas. Sorte nossa. Para
alguns, ele não existe de verdade. É foto-montagem. Para outros é
desbocado no seu talk-show. Avis rara. Quase uma bananeira que já deu
goiaba. Perigoso no seu tatami-palco. Sob holofotes, só se salva pelo fogo fátuo.
Com provocações, torna inteligente a tevê
burra-decadente. Periga ver. Ama
ser odiado. Imaginação superior. Canastrão de oficio. Self service. Mas
nada ególatra feito um tapuia depois da lepra. A palavra é sua navalha na
acne. É um palco-ator. Inteiriço é o signo de uma geração. Existem
ostras? Efêmero pela própria desnatureza. Julga-se um armário de coisas
embru/tecidas... Acredite, se quiser. A coxilha por testemunha. Respostas
prontas. Fala antes de pensar. Aliás, fala antes de falar. Se não fosse
ele, estaria órfã a TV Cultura (idéias, idéias).
De longe cheira seda nova. De perto, sai de baixo. Um velho que
oxigena idéias novas. Um ator-apresentador que, aleluia Brecht, faz sentido. A
produção é o improviso. Jazz-palavras. Diverte-se com o sério. Ri da
sensatez. Afinal, as paredes têm ofídios. Tudo o que lê, parece ser epidérmico.
É suportável, portanto. É meio pétreo, é meio pan na mixórdia geral.
Enxerga longe o lado avesso do ser. Cai de boca na cumbuca dos infames,
literalmente falando. Conhece
a barbárie da espécie. Proíbe o termo humanus-humus. Um arauto pós-moderno
em tempos de insano neoliberalismo que globaliza a ignorância pudica. Nada a
calar. Muito pelo contrário. Toma
Lorax 2 e fala fácil. Destila venenos saradinhos. Provoca, provocador,
provocante. Parece aloprado quando é ríspido na bucha. Mas é mágico no
magno. Manteiga derretida, sabe que a palavra é fascista (citando Roland
Barthes) mas, parecendo que tem uma pulga atônita atrás da orelha,
enreda-se pelos labirintos dos desperdícios verbais, feito um ícone.
Lambisgóia espeloteada? Calou e disse. Parece
bisontino que sabe técnicas de vôos. Diz que adora ser pisado. Carga e
coragem? Inspira cuidados, mas não
quer ensinar porcaria nenhuma, nem feito xerox imagética. Não quer ser um
PHDeus xarope. Dispensa comentários. Ácido, cíclico, tem ternura sem
perder a vivacidade. Muitos minutos de lama ao vivo. Na fuça. Clarabóia. Sabe
dos indigentes. Sabe dos analfabetos. Bate sempre na mesma técnica: não ter
técnica alguma. Serpenteia bravo, pela estética/ética do teatro
tupiniquim. Mama as havências.
Gracezas, prazeiranças, altas voltagens. Cospe nas etiquetas, arrota pros
ibopes, urina nos intervalos. Gente mais maior de grande? Acima
do peso, é leve como um imã. Não querendo ser medíocre, não tem medo de
ser Ser. À meia-luz todos os gatos são fardos? Acha que a televisão
babaquara é um rascunho saranga. Põe o dedo na ferida. Sangra o sumo. Deve
achar a cicatriz um pé no sacro. Ordenha entrevistados. Pega todos pelo
verbo. E a nosotros passa o sabore-delícia da falação por atacado. Tudo a
ver. Para
uns, não existe mesmo. Para outros, é invenção virtual. Mas tem cheiro e
azedumes. O crime da espécie o que é? Provocar-nos uns aos outros. Deita
falatório. Acorda lampiões. Ilumina a escuridão, feito um Lao-Tse
brasileirinho & brasileiríssimo. Falando
sério, perdão leitores, mas acho que o Antônio Abujamra é invenção do,
talvez, Nelson Rodrigues com síndrome de Plínio Marcos. Um gibi a seco.
Talvez ele só exista mesmo na nossa consciência neural. Provoca.
Provocações. Ações. Ocas. Provo. Ovo. Vocações. Cações. Depois ainda
dizem que ele, o Abujamra, no com-textualizar, quer analisar o óbito da
perversa mente humana. Humana vem de húmus? A minha parte eu quero em
ensaios de laminas cegas nos oráculos vencidos pra consumo. A
palavra é cega mais ainda acorda.
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