| Meiotom - poesia |
|
|
|
SILAS CORRÊA LEITE |
|
PRIMEIRO POEMA À
MAIORIDADE
Ao Clube da Maioridade
de Itararé-SP
"A vida é um cheque em branco/Em que você preenche a quantia/De uma grandeza única/Ou de uma existência vazia..." (Silas Corrêa
Leite, in, O Marceneiro, A Última Tentativa de Cristo, romance inédito do
autor) Admirável
mundo novo, sensacional: Eu
estou aprendendo a ficar velho, no
Brasil. (Não
como rejeito ou excluído social Mas
como maravilhoso vinho-verde de barril) Sei
meu endereço inteiro; escrevo poesias Reconheço
parentes, companheiros e crias Até
freqüento as Missas (de Sétimos Dias) Sei
quando a minha netinha da escolinha
atrasa E
ainda hoje eu me peguei Cantando
"As Flores do Jardim de Nossa Casa" De
Roberto Carlos - o Rei. Nunca
fui tão tranqüilo, sábio, sereno, gente Como
ao me sentir velho e muito consciente Até
um Curso de Terceira Idade eu comecei Escrevi
poema de amor aos meus ancestrais Aos
que vieram de muito antes de meus pais E
até posei de cara limpa, cara lavada De
amante - dessa minha Pátria Amada Ser
velho é ser atual; ter paz e saúde Eu
tenho bagagem - eu fiz o que pude Equilibrei
a energia de uma juventude À
pureza da primeira infância, os primeiros ais (Ah!
as acontecências que a
Saudade nos traz) E
assim, feliz, dei nisto que a vida hoje me
faz: Eu
mesmo - e com muitissíma
fé! (Como
é bom ser o que a gente é Nada
mais.) Não
tenho medo de: Vaidade
- fascinação Escuro
(ou Solidão) Comunista,
Injeção Obesidade
- pensão -Ternura
- Com uma nova amiga Eu
sou um amante à moda antiga Mando
flores, danço até
bolero. (Ser
Velho é ser vero!) Por
quê, Deus do céu, não fui velho já nos meus quinze
anos? Ou
com quarenta e tanto, na flor da juventude ainda não
extinta? (Se
eu soubesse que velhice era tão bela assim, faria
planos E
eu o seria feliz, ainda nos idos dos meus vinte anos, ou trinta...) Não
ter compromisso - ou ter alegria, diversão Não
respeitar sinais de pânico - ou
decantação Vaiar
a depressão e não conferir bilhete de
regressão (E
ainda chamar os brotos de brotos. Ai meu coração!) Na
outra vida - Vida Eterna muito além dessa
ciranda Quero
ouvir Taiguara, Francisco Buarque de Holanda Ler
Sócrates, Neruda, Drumond - e tocar numa banda Chamar
a querida esposa-musa-vítima de "meu
talismã" E
fazer sucesso nos rituais da família, toda santa
manhã. Não
acreditar em inverdades - esteriótipos, ou
matutas lendas sem valor Deus
é coisa séria, caridade e orações aos simples - eis o eixo do Amor Não
precisar ser bobo, mentir, votar em político corrupto, falso ou ladrão E
nem precisar deixar de ser eu mesmo para agradar a parente ou
patrão. (Ser
velho é realmente o maior barato. E ainda assim a maior "curtição".) (Os
incautos adolescentes às vezes não me
respeitam) Mas
os jovens também nunca respeitam os jovens
não (Algumas
crianças às vezes também não me entendem) Mas
as crianças são felizes e não sabem dessa
estação (Universitários
às vezes fingem que são o que não
são E
muitos até pensam que pensam um acabado
saber Enquanto
ser velho é só pagar candidamente em dia A
existência - como soma de maravilhosa mais
valia E
a gostosa prestação de uma pura integridade de
Ser) Ser
criança para mim hoje já não é assim tão
divertido Ser
adolescente pode ser trivial, ou de verbo rude, sem estudo Ser
jovem é ter muita grife só que com pouco
conteúdo SER
VELHO É GANHAR A HONRA DE TER SIDO Quem
nunca chegar a ser um velho como deveria E
morrer muito antes por ter se exaurido Talvez
terá sido medíocre e vai descobrir um dia Que
fingiu um curtume, não terá existido. Eu
era um menino com faniquito que via anjos num jardim
caboclo Eu
era um guri que amava Itararé, Pixinguinha e
Tonico & Tinoco Cheguei
a ser triste e amargo - Como choro e ranger de
dentro Mas
ser velho é o melhor exercício como se um sólido
templo E
viver completo é mais verdadeiro - E um grande
documento. O
Brasil não respeita os seus velhos (Mas
o Brasil não respeita o Brasil) As
crianças são idiotizadas desde o próprio berço
familiar (Os
velhos permanecem íntegros, de vivência e de sonhar) Os
jovens dopam-se e ostentam rótulos em vão (Mas
os lutadores vencedores a terra herdarão) Afinal,
qual é o defeito de ser velho da Terceira Feliz Idade,
então? Dormir
de pijama? Escovar os sonhos sábios de uma errança? Comer
espinafre? Torcer pro Timão? Ter céus na
esperança? Ter
siricotico ao ouvir Castro Alves ou samba
verdadeiro
com Jamelão? Ser
velho, na verdade, é ser de novo, criança outra
vez. Com
mais competência, lisura, calma e forja de lucidez Deus
dá aos velhos o sentido real de vida e da
decência Moisés,
Miguelângelo, Picasso, Ziraldo - tudo que se
fez Aprenderam
a ternura do amor dessa linda acontecência Sem
perder o ritmo e um dínamo da mais pura
existência. A
hérnia? - E o equilíbrio racional? A
careca? - E a sapiência
moral? A
aposentadoria? - E a nova releitura de
Platão? Ser
velho é olhar para trás e dizer com
emoção: Vim,
vi, Venci e Amei E
quem quiser que tenha competência, tesão -Para
um dia chegar nessa terceira infância até onde eu
cheguei! -0- Poeta
Prof. Silas Corrêa Leite – De Itararé-SP - Membro
da UBE-União Brasileira de Escritores. Trabalho
que consta no Livro “O AMOR É O MELHOR REMÉDIO” (Inédito) -Poema lido na
Universidade de Sorocaba, por ocasião de encerramento de um Curso de
Extensão para a Maioridade – Autor de Porta-Lapsos, Poemas Outros
trabalhos no site www.itarare.com.br/silas.htm Contatos:
ÿ
|
|
|