Meiotom - Crônicas


 

SOMOS TODOS APRENDIZES

silas corrêa leite

 

  É interessante o Saber. Mais do que sermos aprendizes, estamos diuturnamente (e para sempre) aprendizes. Se vivêssemos mil anos, lêssemos milhares de livros, fizéssemos até dezenas de faculdades, o que saberíamos? Um por cento de tudo, se tanto. Há tanto para se aprender, um infinito de coisas.

 

A vida é um eterno aprendizado. Um amigo meu diz que, da vida só levamos mesmo, o Amor e o Conhecimento. Podemos  nos especializar sobre física quântica, fauna marinha, pintura abstrata, rock progressivo, pós-modernismo, mas, e os outros zilhões de temas que nunca saberemos? Para conhecermos a técnica de solar violino, pintar paredes, assar pastel de couve, geologia lunar, astronomia e milhões de outros assuntos, uma vida só é muito pouco. Há outros novos céus e outras novas terras? Na cada do pai há muitas moradas,  bem diz os Evangelhos.

 

Outros teorizam que, na verdade vivemos mesmo nove meses.

 

Depois vamos morrendo aos poucos. Vivendo e aprendendo.

 

Cada dia, um dia a menos. Instantes breves, segundos, minutos. Conquistas íntimas, evoluções. Honras.

 

Morre-se a cada dia? Ou é morrendo que se nasce (e se ascende) e brilha para a vida eterna? Perdemos a beleza, os cabelos, os dentes, a saúde, os amigos, as pessoas que amamos. O aprendizado da perda. Da ausência. Por isso existem os poetas, as baladas de amor, os pintores, os romancistas. Tudo é Soma. Lições. O primeiro amor, o primeiro adeus, o primeiro trauma, tudo uma maneira de irmos desse mundo, e também de evoluirmos, no amor e na dor. Temos que tirar lições de tudo na vida. Dias são aulas. Nossos problemas são os nossos professores também? E os nossos melhores amigos são os nossos Mestres. Quem não se dá bem com um Professor, vai se dar bem com quem?

 

A pedra bruta, para se tornar diamante, tem que sofrer o sacrifício do fogo, da perda de um tanto de si. Nascemos para o aprendizado. Sempre. Andamos para frente. Criamos para cima. Produzimos conhecimentos a vida inteira. Descobertas. Canteiros. E vamos semeando os nossos passos, dias, abraços, emoções. Um Poeta cantou: -Há pessoas que passaram pela vida e perderam a viagem!

 

Acho que assim é a vida. Ainda velhos, na sabedoria dos tempos, quantas vezes aprendemos um sorriso novo, uma nova forma de ver a vida, uma balada de incêndio, uma técnica de nos reconhecermos em nós? A criança é um poço de pureza. Jovem é energia, busca, sonho, procura. No final da vida, um lastro. Sabedorias.

 

Como Educador, aprendo com os alunos. Troco com eles. Eles dão-me luz, e eu ofereço técnicas, noções, bases, aprendizados, traquejos. Facilito. Há os que oferecem a vida por uma causa e, ao fim dela, notam, num dia qualquer, que viveram em vão. Uma rua, um mar, um segredo, uma paixão. Tudo um grande livro aberto: o belo aprendizado da vida.

 

Lemos e nos encontramos. Choramos e crescemos. Sorrimos e criamos elos de luz. Escrevemos e nos limpamos. Há um Deus. Cada um já deu de per-si, a sua cota de soma para uma vida ética, humanitária, plural? Minha mãe, à beira do rio Itararé, usando-se de termos antigos como guaiú, forfé, cainho, maleixo, deusolivre, crendêospadre e tantos outros termos, deu-me um repertório, para a minha lavra de Sentidor. Poeta aprendiz. Encantários. Ninhais.  Meus sobrinhos-filhos e alunos-filhos dão-me palavras novas. É preciso mesmo amar as pessoas como se não houvesse amanhã, disse o roqueiro.

 

Um filme, uma tempestade, um livro, um site, uma aula, uma vida inteira, são sempre Lições da Viagem de Existir.

 

Sim, somos todos eternos aprendizes. A vida é uma grande lousa. O calendário de nossos dias são páginas abertas, páginas de rostos. Vamos dando testemunhos de nós. Aprendizados. Técnicas e lastros. Bagagens e somas. Elos e sabedorias. Como dizia a canção de Caetano Veloso que a Gal Costa cantava: É preciso estar atento e forte! Claro. Para não perder o filé da essência do verbo EXISTIR.

 

Quando soubermos todas as lições, VOAREMOS?

Silas Corrêa Leite

E-mail: poesilas@terra.com.br

Site: www.itarare.com.br/silas.htm