Meiotom - Crônicas


 

sorry, periferia

PSICOGRAFADO CARLOS PESSOA ROSA

SORRY, periferia

Sorry periferia, diria o ídolo da tia Zulmira, Ibrahim Sued, mas os fatos são novos. Calma lá doutor! Esse troço de voto secreto é coisa de homem sem sombra. O respingo do Magalhães e do Barbalho logo rebuceteia nas províncias. Da coluna social para a policial é uma questão de página. Speak seriously, diria o Zé Pedro, o Alvim, a cada edil que votou contra. Compreenderiam? Desculpe, doutor, sem humilhação, tem razão, é que às vezes abaixa o espírito do Sued no Zé. Mas que muito sorrisão acaba entortando o rosto isto acaba, veja lá o do Lalau, embriagado na vergonha. O tempo há de pegar os dorminhocos que sem mais viajarão no bonde errado. E tem PSDB no camarim... É issaí, xará, tô na minha”. Quem diria? Ôme - Oswaldinho, tem agá ou não -, vê se toma jeito. Entendi Oswaldinho, a ausência faz o sentido.

Doutor, falta criatividade na tática. Transformar Madona em Evita é coisa que a tia Zulmira conhece bem. Vem dos tempos do ronca e fuça. Nem amante se pagava, arranjava-se uma Secretaria para a mosca de padaria. Foi assim no Getúlio e... Praga, Hélio! Foi mexer com os verdinhos que o homem ficou uma fera. “Isso é coisa dos amigos do Ibrahim e do Marinho, o Castelinho era outra coisa”, grita no pé de meu ouvido. Milico é milico, resmunga o Zé. Os amigos que se entendam, para tia Zulmira, a esclerose fixou o hábito, para ela qualquer mocinha de terço no pescoço, uma xeca deliciosa e ares de Santa sempre tiveram o privilégio de um cargo onde pudessem falar pelos cotovelos. É doutor, acabaram com o caju e plantaram xana. Competência é isso aí. Brasil pós-moderno, onde adubando, sempre dá. Por um votinho vale

tudo.

Tudo acontece na terrinha onde ninguém espanta neném. Coisas do tropicalismo, doutor. Caberia o 171. A velha nota fria na contabilidade. O envernizado ainda é capaz de pedir recibo pelo que foi doado. No meio da mudança. O doutor já não acredita mais? Tem suas razões. Hilário de gouveia o povo não é não! Não demora para o homem de capa preta acordar, doutor. Com o similar, sei que está na hospedagem esperando o pior. Cascatearam nas redondezas, deixaram criança sem picolé e agora... O problema é que na hora da verdade o prometido virou fumaça. No desespero vale qualquer coisa, agarra-se no abismo. Deu coluna do Ibrahim, satisfaz. Saúde ausente e Pedra Grande high tech. Era a solução guardada no bolso do colete? Ibrahim até pediu uma licença para São Pedro, quer cobrir a matéria, falou inglês o homem fica de joelhos. De quatro também, tem razão o doutor. Na terra da Pedra do Sino até a Monsanto é capaz de defender os movimentos ecológicos. A multinacional de medicamentos não está financiando a campanha contra o fumo? Troque a nicotina pelo antidepressivo. O circo dos horrores está montado. Até quando jogar um creme e forrar o buraco do pano vai ser a tática mundana? O povão espera mais, a verdade transparente reforça posição, a hora é agora. Senão... O que será?, de Chico Buarque, merece uma nova leitura.

Dicionário auxiliar: Espanta neném: pessoa que assusta; Forrar o buraco do pano: botar dinheiro no bolso; High tech: moderno; Hilário de gouveia: bobo; Jogar um creme: melhorar a aparência; Mosca de padaria: pessoa sem expressão; Rebuceteio: confusão; Sorry periferia: desculpe; Speak seriously: fale francamente.  Dicionário de Gíria, Serra e Gurgel, J.B., SQS, 302 Bloco B – Ap. 403 – 70330-038 – Brasília – DF.