cai sobre o corpo que é oco,
e abriga o dia.
Cinza é o dia.
Brisa,
infinito que corta o vão do labirinto,
e ecoam trovões
às portas do exílio.
Desvãos.
A tarde entende o vulto silente,
de um silêncio maior que o mundo.
Ressoam as sombras desses muros,
pausadamente.
Tarde cinza.
Vem a brisa,
arde pelo cárcere,
larga sinfonia.
Talvez o corpo abrigasse
as fugas da melodia.
On The Train
Janelas, portas de aço,
desencontrados passos,
vielas.
Olhares atentos,
desatentos à vida.
Vento e trilhos
lidam com o tempo.
Segmentos e partidas.
Malas, mulheres, estações.
Passam as horas,
ficam senões.
Corredores e escadas,
para cima, para baixo,
junto a nada.
No céu um faixo,
na morte de um Sol.
Next stop,
Ton Hall.
Um rosto de mulher
balança ao lado,
no outro vagão.
Portas de aço,
vago olhar de chumbo.
Nesta estação
um vagar profundo.
E tudo passa
na fumaça do mundo.
Perpetuum Mobile.
Indiferente ao ocaso,
a mão do meu carrasco,
e sem o corpo
o olhar flutua,
em sua própria bruma.
Escafandrista
de imemoráveis ruínas,
a escrita, em sua sina escapa,
maculada e irrestrita,
pela guerra de seu vulto.
Num divagar oculto,
contra o estourar das espumas,
que dilaceran-se nas margens do mar,
abre-se em imagens de inumeráveis
mortes póstumas.
Eis as apostas.
O norte em meu vagar.
Sou a Ode dos meus dias.
Indiferente ao ocaso,
a mão do meu carrasco,
e sem o corpo
o olhar flutua,
em sua própria bruma.