Meiotom - poesia


 

 

Felipe Stefani

 

 

 

 

 

Eu vi o escasso tempo de malabarismos juvenis

A estalar a seiva acidentada da tarde,

A aurora pura entrelaçada ao meu próprio sono

Nos instantes precários de um segredo vago.

Na obliqua solidez dos corpos

Abre-se a rosa inicial sem nome, turva e casta,

Impura como a brisa imaculada dos sonhos, da voz,

Em uma espécie de chamado.

Eu vi o estrondo de uma gloriosa infância,

A alegria que em mim eram crianças cintilantes,

Na tarde volúvel, onde o mar, em silencio maior,

Faz dos corpos uma presença errante.

Devo amar calado o triunfo crepuscular da juventude,

Seus beijos ao mar e sua oferenda de mistérios,

Na rosa oblíqua de um chamado puro,

Na vastidão precária dos instantes.

Eu vi tudo isso e amei, sendo eu mesmo uma oferenda eclusa

Aos mistérios juvenis, que desafiam os segredos do mar.

 

 

 

 

 

O acorde da noite

mais uma vez tombou

sobre meu corpo migrante

e, sendo a música a vastidão no instante,

deixei-me sonhar em volta dela.

 

Ela que me tocou na noite,

na correnteza de músicas estranhas,

como mar revolto entre as sombras dos naufrágios.

 

E navegamos,

sacrificando o mar, multiplicando as margens,

a infinita música dos presságios,

exilados nessa travessia,

onde somente as estrelas morrem por nós.

 

 

 

 

 

 

 

METRÔ

 

As vozes da engrenagem

calam sua imagem.

Somente os que sobrevivem,

preenchem meu tempo.

 

O resto é rumor,

que atormenta a coragem;

despertando entre os ossos,

o tremor que habita,

as formas cansadas dos corpos.