| Meiotom - poesia |
|
|
|
Felipe Stefani |
A Paul
Celan
Eles chegam com a garganta atravessada
contando os
corpos na noite.
Torcem entre as veias ferozes,
arrancam as pupilas
e
ninguém sai ganhando.
Eles chegam com a garganta
incendiada.
Crepitando
sobre o golfo rítmico do mundo.
Estrelas
perdem acordes,
cada uma estagnou um mundo
e ninguém dizia seu
nome.
Os dedos manobravam na clareira das
vértebras,
soldavam-nas,
incendiada a imagem de um rosto noturno
quando
chegavam com a carne atravessada.
Vi
os frutos contorcerem-se,
as
válvulas sangrando,
a marca de um fogo vivo, as pupilas, os dedos,
as
manobras na noite fechada,
exaltada cruelmente.
Eles vinham com a veia
incendiada
quando desata o pesado nó do mundo,
quando os frutos renascem
na imensa memória.
|
|