Meiotom - poesia


 

 

Felipe Stefani

Não te deites com a volúpia presa aos dentes,

se pretendes despertar os lobos.

 

Madrugada,

o uivo sonda seus ossos.

 

Alquimia não consiste em acalentar o orgulho.

Os lobos sabem farejar as sombras,

violetas e asteróides,

não envolvem seus mundos.

 

Sutileza,

presa acidentada dos cálculos,

a cidade tem uma cegueira acelerada,

os lobos avançam,

teu quarto tem extremidades impossíveis. 

 

A volúpia brota de ossos cegos,

onde a vida, com seus lábios violetas,

não penetram.

 

Tu, cadáver de si mesma,

volúpia acidentada,

não penetre a alquimia com asteróides cegos.

 

Os lobos te envolvem, no lado mais sutil do orgulho.

 

Madrugada

tem acordes turvos. 

Deitas-te a cama,

o edifício encravado na cidade

não supõe seus lobos extremos.

 

Com volúpia, não calcule a cegueira,

sem supor seus uivos.

 

Brotam nas sombras,

brotam nas ruas,

em espaços turvos,

no sorriso das cifras. 

Avançam a madrugada em que te deitas

cadavérica, 

farejam e ao farejar te despertam.

 

Tão inesperada como um asteróide.