Meiotom - poesia


 

 

Felipe Stefani

 

(Sem Titulo)
 

Como operário no alfabeto das horas,
cumpri o enorme grito do meu nome,
dentro das florestas extraordinárias
da inocência.
Após a cerimônia da manhã interior,
que nos queima as entranhas,
lancei-me faiscante para fora
dessa treva cheia de planetas espelhados.
Sobre a tarde, de repente, atravessando oceanos vivos,
estendiam-se platôs exteriores,
centros gravitacionais mais quentes que o abismo
do meu vôo. 

E teu sexo trilhava o coração e a raiz
desta noite sufocada de luz. 

É isso o amor?
Uma prisão esplêndida.
No dentro e no fora da elegante
demência que naufraga,
sei que toca as partes vivas e a morte
do enlace, onde nasce a música. 

E as estações nos moldam a chama
e a simetria,
até a luz além da luz da vida.

 

Felipe Stefani
e-mail: felipe.stefani@uol.com.br
Blog: http://cultuar.blogspot.com