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meiotom poesia & prosa |
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meiotom.blog PROSA DE TALLES MACHADO HORTA |
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DO LIVRO MARIPOSAS NO ABAJUR | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Engodo
Margarido, poeta
maldito, refletia sob forte influência
destrutiva se concretizava o
enforcamento de si com o lençol de
tecido espanhol ou italiano. Não antes
de deixar uma cartinha afirmando que não
cometia tal atitude levado por
motivações tolas, românticas e
supérfulas; como provavelmente as mentes
atrofiadas por fatores de ordem
trabalhista e doméstica, possam vir
futuramente afirmar com toda razão.
Estava, há muito,
vivendo aquém de suas expectativas
metafísicas. Queria tanto visitar
Saturno, conhecer a outra banda do
mundo, criar uma nova arte, amar todos
que pisavam a terra não só em teoria etc,
etc...
"Como todos podem ver,
a culpa é dela, da mágoa canastra, que o
fazia chorar após as noites depravadas e
o tornava megalomaníaco a ponto dele ser
alpinista do onírico à altitudes
catastróficas etc, etc..."
De fato, alguém que
tira a própria vida mercerá o vale dos
suicídas?! Quantas seqüelas, afinal,
deixa para os seus, aqueles que se
extinguem do colorido dela? E os que se
utilizam propositalmente de tentativas
infrutíferas: creio ser corte no pulso
na forma vertical o menos higiênico e o
menos adequado. Merece mais respeito um
verdadeiro conturbado que deseja deixar
entranhada essa impressão no finito de
uma Era, em algum microscópico fiapo de
tempo dizendo: Bem, eu não curti muito a
vida, obrigado por tudo, vou nessa!
O ambiente do lar de um
anômalo, dias após a "anomalia",
deixaria de herança uma atmosfera tão
carregada, que outros residentes da casa
a julgariam assombrada chegando mesmo a
ver almas penadas. Todos chamariam
aquela morada de abrigo do Exú
Caveira!... lar da louca feiticeira! E o
promissor artista seria, enfim, uma
vaporosa lenda.
Porém como não podia
deixar de ser, pois tendia para o
primeiro caso, o ator ainda estava preso
em questões de ordem estética e emotiva.
Enfim, tardou, e não se matou. Essa
devia ser a terceira ou quarta vez na
semana que desistia do ato. Logo depois
comeu e bebeu exagerado. Saciado e mais
um pouco, dormiu feito preguiçosa jibóia
no tronco da mesma vida que maldizia.
Vai entender esse
prepotente sujeitinho por quem a chuva
também lamúria, prateada e energúmena!
Triângulo amoroso com
Deus e o Diabo
Estamos no banheiro
olhando pela fechadura de Virgínia,
menina pudica e de família, educada
nos melhores conventos - o que lhe
proporcionou uma erudição sacra sem
igual. O máximo de contato que havia
tido com a sexualidade, foram os
boatos de lesbianismo que ocorriam
de vez em sempre no convento, mas
que nunca dera crédito.
Ela agora se
encontra nua, reparando
minuciosamente pela primeira vez no
seu jovial corpo em frente ao
espelho. A virgem começa a sentir um
calor tão forte, adicionado e muito
pela sua vida de completa
reclusão... este instante revelaria
a chama que nela transbordaria a
ponto de transar excêntricamente
consigo própria. Exatamente quando
dá a atenção devida aos seus seios
de bicos rosas olhando para o teto e
no delineamento perfeitamente
delicado do seu rosto angélico de
marfim, acontece a eclosão!
A esta altura a
imatura sexual já está perdendo o
seu severo juízo, e sem sombra de
remorso, se dirigi primeiramente
para sua escova de dentes. Depois do
choque inicial de ser desvirginada
por um utensílio de higiene
dentária, não satisfeita, começa a
pensar na hipótese de usar a
vassoura piaçava. Por mais incrível
que pareça, ela está fazendo...
Olha!
"E não tenho dúvida
que nesse momento pessoas mais que
comuns estejam praticando algo do
gênero e até mais singular e
explícito, como por exemplo a
necrofilia, sexo com a participação
especial de suas necessidades
fisiológicas. Nunca parou pra pensar
na hipótese de que alguém nesse
momento esteja passando fezes no
rosto dizendo: mija e caga em mim só
mais uma vez! Não? Tudo bem, mas
tira a mão daí!"
Pois bem, depois de
se satisfazer com este ato
aparentemente grotesco, Virgínia
caiu no marasmo do arrependimento,
que é igual a uma ressaca acentuada.
Que pena!... por um momento achei
que ela tivesse superado a moral
amarga!
Agora está chorando
toda trêmula com uma parte ainda
considerável da vassoura no ânus ou
na perereca - não conseguimos ver
bem. Mas, seus orgãos sexuais são
agora um mistura de sangue,
pentelhos, suor, cocô e gozo. E como
ainda é excitante vê - la em sua
desgraça casta.
Creio ser o
bastante!... Também já gozei! Vamos
ter o mínimo de discrição, parar de
espiar pela fechadura e nos
retirarmos para a dignidade de
nossas casas. E que Deus a tenha.
Amém.
Mártir
Há em algum
lugar, não muito distante, um
homem que se julga guardador de
toda a beleza dos infindáveis
martírios; mesmo restrigindo -
se ao campo simbólico, beira o
terrível!
Suas paisagens
mortas giram em torno de coisas
fantásticas e nada tem haver com
realismo e política. Sempre a
favor da plebe, até quando
escarra nela; a favor da
densidade do essencial e da
filosofia do tudo ou nada...
mais uma vez comprovando a
vitória da emoção sobre a
razão... aliás, atitude bastante
convencional no âmbito pedante
artístico.
"Como ele tira
tanto poder dos adjetivos chulos
e grotesco!" - ainda não
exclamavam as mulas e hienas.
Ninguém havia
se rendido ao seu talento - que
sem dúvida era inegável. Muito
menos da falta de necessidade de
sua desordem habitual; afinal o
mundo não deu a ele o cargo
oráculo e se o concedesse seria
de um extremo mau gosto.
E quem disse
que havia perguntado, ele mesmo
se elegeu e continuou
irredutível em sua muito insana
empreitada, sendo candidato a
chegar mesmo ao ponto de receber
múltiplos tapinhas nas costas;
fato que provavelmente o
desafinaria por algum tempo.
Entretanto, retomaria a sua
antiga e estranha causa,
conseguindo todos os rótulos e
misticismos terrestres, alguns
realmente inerentes a sua
pessoa, tais como: bohêmio
incorrigível, cientista do
pervertido, músico com
influências wagnerianas,
astrônomo ultra amador, escultor
do disforme e ventríloquo do
impalpável à moda do bizarro
Eurícles. Inclusive, outros
prognósticos teriam de ser
inventados a partir dele.
E o mais
engraçado era que por mais
empiricamente que vivesse esse
sonho de plástico, ainda era
digno de ser descartável.
A ponte
Oi, eu sou
uma perigosa ponte
carcomida! Para fazer a
travessia ao outro lado,
muitos transeunte ignóbeis,
passarão por mim. Ainda não
é chegada a hora do festim;
mas, nada como o tempo para
se fazer compreender e dar
um poderio suficientemente
vasto no que que se pretende
obter; para impor, quem
sabe, o acaso dessa lei que
é anárquica e fora.
Mais tarde
quebrarei. E isto faz parte
do ciclo, da qual estou
fadado por opção e esta é
uma outra lei. Porém mais
tarde retornarei ainda mais
robusta que outrora... de
toda forma, não serão mais
as verdades e mentiras
daqui. Será o eclipse caduco
instalado, bem sei; pois
parti, para onde, mesmo
estando em frangalhos, ainda
em vida, não ignorei.
Ônix
falsificado
Avalanches
em tom maior. Não disfarço,
despenteio - me.
Feiticeiras
soberbas riem de mim,
através de seus longos véus
intocáveis. Me desintegram
com o olhar, apesar de
saberem que todo meu
espírito é a alavanca de um
desejo platônico latente e
sincero.
Línguas em
fúria! Quero o coração
novamente ardente!
Arranco um
dos matizes cor de abacate
do meu delírio e o atiro
para o ar. Sempre perdido
nos signos desenfreados dos
desejos que os mais
desprezíveis nos deixam! Oh!
mal esta súbito! Poderiam
serpentes derramarem - se em
lágrimas?
Defloro
amores e flores. Sofro
cataclismas ogros. Pressão
escorregadia e lactosa. Um
dias desses, esfaqueio um
gnomo, só para manchar sua
falsa esperança; arrancar,
quem sabe, sua eterna mácula
e cinismo que se disfarçam
por detrás de seu sorriso
sinistro e complacente a
minha desgraça inventada.
Bebo
aguardente muma fonte
infestada de saúvas como eu.
Estou acoplado no dorso do
sonhar tudo e não gozar a
plena posse de nada. Ouço os
rugidos das máquinas
cerebrais...
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK...
todos os mecânicos sonhos
sorriem com arcadas cariadas
para nós.
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