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ANUNCIANDO MAIS TRAGÉDIAS QUE A LUA
 
  

Anunciando mais tragédias que a lua

 

Diário de bordo

 

  Este não deve ser o modo adequado de iniciar um livro; ainda sim acho que você é a pessoa certa para desabafar: quando elevamos o espírito a grandes alturas, refinando todos os sentidos ou os arruinando de vez, corremos o risco de ficarmos sem ancoradouro. Sinto um desconforto e todas as outras pessoas, à sua maneira, também sentem; no entanto, ninguém fala a respeito.

  Gostaria de ver Deus... Queria apenas uma prova, um sinal!

  Por exemplo, minha mãe é maluca, ela também tem medo da morte... Assim como meu avô.

  Uma sociedade se constrói de forma a se pensar nisto o menos possível. O que é um erro, pois, exatamente o contrário, despertaria uma maior empatia. Quero ser claro e repentino como um relâmpago: todos os livros, todas as artes, todas as ciências, abordam este mesmo tema, só que cada autor de um jeito diferente.

  Isto aqui não é brincadeira; é incompreensível... Sejamos mais humildes!

  Talvez nem tenhamos uma alma; talvez esta seja uma estrada que vai do nada ao nada. Eu diria que muito provavelmente... Mas, não posso afirmar! O que é a vida? Estou desesperado e me sentiria honrado se, ao menos, por um instante, pudesse tocar seu coração.

  As verdades derradeiras abalaram meu sistema nervoso, meu moral. Estou plenamente abatido. Se aproxime... Olhe nos meus olhos com mais calma... É deste jeito que as máscaras caem.

  Sinto pavor ao pensar na possibilidade de sermos somente matéria, de toda forma, sou tocado por um mistério.

                                                                ***

 

 

Fragmento 1

 

  Cheguei ao cúmulo da baixeza humana – tornei-me lince cego – enviei cartas patéticas para pessoas que admirava, porém, mal conhecia:

 

  Ando preocupado em parar no manicômio. Já estive lá... Muito triste! Fui encaminhado para aquele antro de parias, por atentar sistematicamente contra minha vida. Numa tentativa, minha mãe me ressuscitou. Noutra vez tive um derrame e afetei uma região do cérebro. Minha mãe também é uma pessoa doente. Não nos damos bem. Amo-a muito e vice - versa. Ando usando cocaína exageradamente e isso tem acentuado meu niilismo, assumo. Andava bem nos últimos tempos, mas novamente estou em queda livre. A dor não cessa.

 

  Fulano, você já mora no meu coração.

 

  Não sei se me excedo: não entendo o sentido da vida. Tenho medo do nada. Acho que estou ficando esquizofrênico também. Sinto a todo o momento uma grande estranheza em existir. Ando muito desequilibrado e sem nenhuma possibilidade de bálsamo. A vida é muito fascinante e esquisita. Acho que vou me suicidar.

 

  Sicrano desculpe qualquer coisa.
 

 

 

Fragmento 2

 

  Um dos meus passatempos foi filmar tempestade, até que um dia me transformei numa. Tinha fantasias em que o mundo era uma Veneza delirante, onde havia piratas Steampunks que levavam no ombro corvos com as penas ouriçadas, berrando: Morte, morte, morte! Todos liam Edgar Allan Poe. Todos eram Sadianos ou Strindbergs doentes. Alquimistas produziam enxofre... Bruxas bacantes dançavam em frenesi... As hienas jamais paravam de gargalhar... Não havia o menor sinal de esperança, luz. Este mundo: minha imagem e semelhança. E o elogio da loucura nunca esteve tão presente em todo lugar.

  Quando escurecia era tomado por múltiplos temores, neuroses. Desenvolvi bruxismo... Arrancava tinta das paredes com as unhas... Parecia uma pantera... Dormia com protetor de boxe. Passei a ter crises místicas, que se alternavam com momentos de completo ceticismo cientificista. Nunca estabilizava. Meu psiquiatra era meu rancor.

  Em relação ao amor, do qual, também não tinha mais fé alguma, só conseguia ter pena de quem me amava e de mim mesmo por amar. As pessoas são sujas. E o amor inevitável.

 

Fragmento 3

 

  Já reparou, literatura que vale a pena não chega a lugar algum, mas os livros de auto-ajuda chegam a todos. Só sinto prazer estético com o que é inútil. Acho perniciosa a arte de propaganda comunista, poesia proletária... É maligno. Assim como é maligno este meu amor próprio que envolve você. Seria só vaidade? Sinceramente, não sei. Pensemos nisso.



 

Fragmento 4

 

  Sobre o gênio: devido um acidente, um desvio de conduta, o varo coloca tal prostituição no centro de suas idéias e quanto mais apaixonada... Bom, o gênio é aquele que se permitiu errar mais. Ou é isto, ou outra coisa.

 

  Sobre o idiota: devido um acidente, um desvio de conduta, o varo coloca tal prostituição no centro de suas idéias e quanto mais apaixonada... Bom, o idiota é aquele que se permitiu errar mais. Ou é isto, ou outra coisa. Também um livro de Dostoievski.

  

 

Fragmento 5

 

  Como pôde perceber, tenho a sagacidade de fazer algumas conjecturas, não sou desprovido de razão. Acumulei não apenas sabedoria com o tempo, mas muita merda. Freqüentei o xamanismo, a macumba e não encontrei nada além de mim mesmo e sombras de outros refletidos no meu próprio espelho. E o olhar tornando-se cada vez mais vago, vítreo. Ouvia vozes, desarmonias do espaço. A loucura só é boa nos livros. O romantismo não foi superado. 

  Esperei pelo menos que, depois de tudo, pudesse ter obtido força suficiente para enterrar, da poesia contemporânea, o cadáver. Perceba como utilizei um movimento frio e calculado. Sou aquele que te apunha-la pelas costas, te traio. E porque você também não haveria de me trair?

Aquilo que meu território te revelará é óbvio e pode ser do seu entendimento, o contrário. Tome cuidado. Sou simulacro. Todavia, a doença é real.

 

 

Fragmento 6

 

  Venho pensando em fixar sistematicamente os sonhos. Sonho todo dia. E acordo sobressaltado. Acordado, prossigo naqueles mais detestados. É um universo habitado por leões, sexo, torres, maremotos, serpentes e raios. Não compreendo bem os símbolos. Mau agouro deve ser.

  Um deles, particularmente, deixou marcas profundas na minha mente: estava numa espécie de Coliseu e não parava de galgar as arquibancadas. Quando cheguei ao topo, havia diversos grupos de pessoas que, maravilhadas, ficavam olhando fixamente um ponto. Não me deixavam contemplar. Depois de algum esforço, após infrutíferas tentativas, contemplei. Achei extremamente insípido. 

  Ao retornar fui tomado por mártir, herói, todos aplaudiam - inclusive inimigos - e eu carregava John Wayne no colo. Ele estava encantado. Como descarregava seus revólveres, atirando pro ar! Seria isto, pão e circo?

 

Fragmento 7

 

  A poesia vem antes. Até o homem ter ido à lua, foi culpa da poesia. Ela é tão superior que todas as outras artes e a própria vida prestam a mesma, suas respectivas homenagens. Poesia é sinônimo de qualidade, beleza. Dizemos que uma obra, uma alma, é superior devido ao grau de poesia que carrega. Ao mesmo tempo, não importa. Poesia é pão e circo.

  

Fragmento 8

  Deflagrando caos para gerar reflexão, amor e absurdo sobre as massas. Traficando encantamento. Kierkegaard ainda pede socorro numa montanha da Dinamarca, mas logo não precisará. O Mundo deve ser mundo. Levantando bandeira do delírio não tem nada haver com Maiakóvski (da fase comunista, é claro). O indizível dos crepúsculos. O mito foi apunhalado. A estrela da manhã é Satanás. Frotas de nuvens ardem. Caravaggio vai pincelando tudo. Sinto vontade de me mutilar. 


  Foi decretado ao som de um sino rachado: SÓ O ABISMO IMPORTA!!!!

  BLÉMMMMMmmmmmm...

 

Fragmento 9

  Acordo ainda de madrugada: escrevo alguma coisa ao som de música barroca (de preferência: Buxtehude & Bach), aprecio o nascimento da Aurora, malho, pratico boxe e depois tomo um café da manhã homérico (não pela quantidade, mas pela variedade e qualidade). Após o almoço (geralmente peixe), assisto um filme mudo e leio. Quando o pôr do sol vem chegando, durmo. Assim vou fabricando sensações, imagens. É vida de bruxo mesmo.  Na maior parte do tempo tendo ao apolíneo... Gosto de manter o olhar altivo, o corpo ereto e a energia concentrada. Não sou nenhum flãneur.  Não sou intelectual, mas homem visceral. Se, por acaso, me encontrar dançando o Sabá, não confunda: é apenas parte do ocultismo... Também sou cavalgado por Wagner e Dionísio. 

 

 Fragmento 10

  Geralmente sigo solitário, mas sempre dialogando com os vários outros seres que me habitam. O Eu ensinou o pouco que sei. Só consigo lidar com a maioria das pessoas se estiver bêbado etc. O diálogo importante cessa.

Fragmento 11

  Tento ainda entender o evento singular que paira sobre o processo de criação dos meus dois primeiros livros: todo dia mariposas imensas vinham me visitar. Um presságio? A BRUXA?  Quando terminei ambos, uma ainda maior que as anteriores surgiu e começou a se lançar contra a luz do abajur caindo sem vida em minhas mãos. Paixão, rebelião? Fui iluminado. Por isso batizei um deles de mariposas no abajur: a vida humana também é assim: estamos sempre indo de encontro à luz e ignoramos o quanto falsa pode vir a ser. Néon.

  Sou o Muhammad Ali da poesia porque quero e busco uma luz verdadeira.

  

Fragmento 12

Falta uma citação Bíblica ou da Genealogia da moral (Nietzsche).

   Distante. Entretanto quando procuro teus braços urrando, é bem mais real. Pareço uma fera, só que estou sendo gente mesmo. Necessito de parcimônia e sabedoria. Depois, permaneço distante: calado ou engraçado. Dar-me o prazer de ver você rir. Quero possuir mais que teu corpo. É um círculo vicioso e egoísta.

 

Fragmento 13

Arcano 13 

  O homem cheira a flor de lótus: perfume

  O homem arranca a flor de lótus: orvalho

  O homem semeia: Osíris e Ísis

  O Homem colhe: vertigem

  O homem dentro do tempo: sonambulismo e todo o resto

  O homem pára/para o tempo: alucinação

  O homem então é arrancado da vida pela foice saturnal: orvalho

 

 Fragmento 14

  Reunirei toda família para falar de minha situação. Desaprendi a viver... Estou enlouquecendo. Eles entenderão nada ou muito pouco. Irmãos, não é literatura: escrevo banhado em lágrimas, no mais profundo esgotamento. Para a maioria das pessoas, pode parecer comédia. Todavia, você está nesta mesma situação.

   

Fragmento 15

 Alcançar serenidade requer um caminho tortuoso. Em nada é diferente o apagar das luzes: a suprema serenidade, precedida da suprema dor. Minha vida desbotada: a ingratidão incalculável. Tenho tudo e não apodreço somente na carne. A invenção do amor, da luz do olhar e do tempo. As preces das crianças órfãs não emocionarão o vazio do céu. Após letal momento de beatitude e higiene estarão novamente prontas para todas as máscaras: a máscara da loucura, a máscara da poesia, a máscara do homem que vem e vai para comprar pãezinhos, a máscara cocainômana que as torna tão frias e alienadas, quanto realmente são e tão aflitas e dependentes, quanto merecem.

 

Fragmento 16

    Cansado do circo pegando fogo dentro.

 

 Fragmento 17

  Até que ponto uma pessoa com tempo ocioso suficiente para refinar sua alma, convivendo entre livros estranhos, filmes mudos e de horror, sobretudo os italianos, se deixa afetar por essa atmosfera? Está aí uma coisa que a psicanálise deveria se ocupar ou se ocupa! Eu apenas posso relatar, através de minha própria experiência, o progresso dessa doença ou hiper-sensibilidade que de forma nefasta e progressiva tomou meu ser de assalto.

 

  Lembro - me de já ter sido são. De uma sanidade aterradora. Lembro – me, pois os fenômenos naturais sempre exerceram grande impressão no meu espírito e nessa época o sol sempre nascia.

 

  Antes de tudo afirmo o seguinte: não tem nada haver com síndrome de Stendhal ou David... Este delírio ainda estar por ser catalogado.

 

  Tudo começou pelas lágrimas quentes: os menores gestos tomavam a dimensão de fenômeno. Era um vício mais triste que o crack e o ópio. As pessoas eram meros joguetes nessas realidades adaptadas aos moldes da imaginação. No fundo, apesar da amargura, me vangloriava e ria de minha tão caridosa caridade. Era um mundo trancado a sete chaves. Nenhuma pessoa poderia notar, ao olhar, por mais atentamente que fosse, dentro de minha pupila, que eu era tão dramático ficcionista. Depois, cansado de tamanha esterilidade, assassinei de maneira definitiva esta volúpia de tia.

 

 

Fragmento 18

 

  Mais endurecido e menos rancoroso, fui apresentado à extrema volúpia. Pensava ser uma volúpia destinada aos fortes, já que havia lido num livro! Nesta nova fase não me sentia tocado por música alguma a não ser pelos contrapontos de Bach; nem por uma cena, muitas vezes mal feita. Desde o início sabia que era indiferente ser Eisenstein e Murnau ou Ed Wood e Bruno Mattei... O que sempre me interessou foram às sensações que as imagens ainda desconhecidas poderiam tomar na minha alma, pelo simples fato de serem inéditas... E para provar que essa imensidão provinha de mim. Eu era um Roderick Usher numa casa pobre.

 

  De desconfiado, passei a incrédulo: não procurava o amor em cada esquina e me sentia muito singular por não me render a uma carícia. Não mais necessitava me redimir entre as quatro paredes da minha cabeça - o sonho não me servia mais de válvula de escape - antes de tudo, não sonhava. Dormia como os alcoólatras veteranos, num mundo de escuridão e sem imagens. Havia atravessado a fronteira inatingível aos meros poetas que recitam em vernissage.

 

 Fragmento 19

 

  Algumas vezes tentei disfarçar que sentia... Daí, a poesia! Uma coisa era certa, nunca poderia fugir de mim. Foi então que pensei: nunca? Sempre e nunca são palavras que fazem muitos se suicidarem; mas o meu caso era outro. Tinha de achar um novo jeito; pois, havia ultrapassado a fase de internação e, das drogas, sabia, há muito, as desgraças, os sortilégios. Também não havia dinheiro suficiente pra viajar e gostava e ainda gosto do conforto...  De ter uma pátria sem guerra externa... Um lar.

 

   Estava bastante inclinado a omitir, mas não creio ser o caso de omitir nada, porque escrevo como quem aborta... O que não quer dizer que seja exatamente confessional e muito menos crônica, pois, uma mania não perdi: a de adaptar a realidade ao bel prazer da doença, da fantasia. Também escrevo para meia dúzia e espero que entre eles haja pelo menos um outro ser doente. Não faço mera literatura.

 

 Fragmento 20

 

  Sim, sentia um impulso terrível de me mutilar! As facas tiveram que ser escondidas, só me aventurava em manusear no máximo e, em dias relativamente amenos, uma faca de manteiga. Acredite, era uma aventura! Foi nessa época que passei a me aprofundar em tudo que dizia respeito ao abismo. O compreendia.

 

  Era chegada a hora de uma nova loucura: o veredicto foi dado, antes mesmo do psiquiatra. Porém, os remédios eram caros e estava disposto - pelo menos desta vez - a me conhecer melhor ou pior, sem paliativos.

 

  Fragmento 21

 

  Gritos pavorosos... Queixas insensatas... Fazendo do lar um hospício... Acordo com o coração na boca... Como não basta-se meus conflitos... Venta muito... Incontáveis castratis, calafrios... Estou amaldiçoado... Eliane necessita ainda mais de parcimônia e sabedoria... Queria que estivesse morta... A amaldiçôo... Um outro círculo tem início...  Scarlatti/Moreschi na vitrola... É maravilhoso... Ferrugem apodera-se do ar.

  

Fragmento 22

 

   Dói-me a esperança, não a tristeza.

 

Fragmento 23

 

  Um escritor disse que tenho fogo e sou senhor de uma poesia das mais expressivas em língua portuguesa. Ficou fascinado com a simbologia do meu nome. Prosseguiu afirmando com um olhar diabólico e uma atitude sobrenatural que minha presença põe todo mundo ao redor em desconforto, risco; que estou maduro para a morte. Que a dor, para seres como nós, é de bom gosto.

  Quando fomos apresentados, devido o silêncio, o suspensório, a cabeça raspada e o corpo atlético, confessou ter me confundido com skynhead, porém, sou educado, articulado, chique e cheio de características femininas. Achou engraçada a maneira natural da primeira vez que o dirigi a palavra, sentenciando que ele possuía poucos livros, mas todos eram bons. Também fiz minha confissão sobre quase ter matado uma pessoa muito próxima. Falamos sobre artes, de ter a existência arruinada pela poesia, entre outros assassinatos. Estávamos embriagados. Esse rapaz também tem a alma a perigo.

 

Fragmento 24

 

  Nesse mesmo dia uma conhecida alcoólatra e hipocondríaca havia comentado ter ligado para minha casa de madrugada sem me encontrar, porque descobriu de uma hora para outra que realizo o que ela e outros apenas sonham realizar, pois, não tem culhões; que sou misterioso; que ela está no inferno, em compensação não colhe nenhuma flor; que queria transar comigo (dizia isso com uma tonalidade opiômana). Agradeci e falei que gostava de uma pessoa e quando cheiro não aprecio ser tocado.

 

Fragmento 25

 

  Novamente fiz de minha Beatriz outro alguém. Tenho de deixar para trás o Don Juan. Não fazer nenhum ser humano de subterfúgio, nem me permitir ser. O tempo desta hipocrisia passou. Não entrar em comunhão com a nova condição, anulará o ARTISTA. Romperei com tudo que possa ainda me apegar a este mundo. Depois, romperei com o próprio ARTISTA. Enfim, aprender a morrer.

  Assassinei os deuses celestes, mas faltam os terrestres.

 

Fragmento 26

 

  A intensidade dos meus sentimentos destruiu minha vida. Tanto que ir e vir tornou-se difícil. Hoje apenas vou e invejando as aves que vão em vôo.

  

Fragmento 27

 

  Numa roda (não lembro o que estava fazendo por lá; provavelmente havia alguém pagando a droga, a bebida) onde confundiam ser consumidor de artes com produtor, perguntaram: Por que vocês escrevem versos? Um divagou sobre o refinamento de sua alma; outro na pureza de sua sensibilidade; ainda outro - mestre em retórica – nada disse, mas tentava provar a todo instante o quanto elevado era seu QI. Chegou minha vez, fiquei um pouco tenso, pois estava a fim de agredir aquela gente... Pensaram ser isso sinal de pouca propriedade, substância. Respondi que o locomotiv de toda POESIA era a falta de sabedoria.

  

Fragmento 28

 

  Poeta com nome de anjo & pássaro intitula minha poesia de pós – diluviana. Curti.

  

Fragmento 29