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Recortes do NEPOTISMO: jogo da desigualdade

por Tânia Du Bois

 

            Na tentativa de retratar os recortes do nepotismo como jogo da desigualdade, considero os problemas éticos que formam o corpo da responsabilidade e me possibilitam, como leitora e cidadã, adquirir familiaridade com o tema recorrente do pensar na busca da relação entre a verdade e a desigualdade.

            Desmascaro as imagens em que, com dificuldades, sobrevivo das frustrações e surpresas, pelo medo do futuro em que, quando no nepotismo, somos o retrato inquietante da cena de peixaria, a troca em uma mão lava a outra, ao se venderem pelo peixe ofertado. Aqui, lembro Baltasar Gracián, “O saber e o valor alternam grandeza... Homem sem luzes, mundo às escuras”. Nesse sujo jogo, os princípios de liberdade e de justiça não sobrevivem, pois a mentira sempre se adianta e não deixa lugar para a verdade, nem o entendimento é posto a nu nas ações pautadas pelo processo utilitário de meios e fins, demonstrando que o nepotismo adquire realidade própria.

            Minha visão irônica é de uma tragédia que se transforma em horror, visto que o jogo da desigualdade me provoca a típica reação de rir para não chorar, onde o nepotismo não é escondido, e eu pago o preço do destemor sem limite. Cabe-me encontrar o caminho para renegar a sua prática: essa troca de insignificâncias. Cada um precisa ter seu código de postura, ético e moral, medidas qualitativas para impedir que ocorra o nepotismo e, com esperança e coragem, denunciá-lo. Traduzo essa amarga visão, que é o nepotismo rascante e certeiro da irrecorrível condição humana, no sentido de me manter moral e eticamente sadia, como parte da sociedade.        Digo que o fim é conseguir escapar dos danos causados pelo ato, mas o mais difícil é responder se existe esperança sobre seu o fim. Carlo M. Martini diz que “A esperança faz do fim, “um fim”.

            Vivo com a indiferença e a inconsistência em relação à prática do nepotismo, porque elas refletem a perspectiva da fictícia liberdade de escolha, em que o jogo da desigualdade muda de figura e sentido, confundindo o desempenho e o mérito com o parentesco, em cruel pesadelo. Percebo que hoje existe a vontade generalizada do povo em não se deixar enganar. O sentido da esperança e o problema da desigualdade podem dar lugar à mudança com exemplos que mostrem ao brasileiro haver a possibilidade e a capacidade de se dizer não ao nepotismo.