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DESCULPA SINCERA

por Tânia Du Bois

 

“...Não venha me pedir desculpas. / Não venha ao meu encontro. /

O fim de tudo aconteceu. // Você matou a flor!”. (Inês Mafra)

 

Desculpa sincera é a aquela que, por trás do fato, existe como razão para ser aceita. Agora, a desculpa superficial é a que, simplesmente, se passa a mão na cabeça, dá-se tapinhas nas costas, sem motivo para acreditar, como a desculpa esfarrapada que estira tanto a corda que acaba arrebentando com a verdade. “... pouco importa o quanto minto quando nego / se sangrou sangrou em vão já nada medra / neste chão onde brotava todo o espanto...” (Márcia Maia)

Existem tantas desculpas quantas forem as criatividades das pessoas (sem avaliar o estrago que podem fazer a uma vida). Um ato mentiroso dói muito e a desculpa, as vezes, ajuda a esclarecer para a dor sumir, mas, de outras vezes, acentua, prejudicando ainda mais ao outro, pelo simples fato de a desculpa não ser sincera, ser apenas engodo. “Ousa dizer a verdade: nunca vale a pena mentir. / Um erro que precise de uma mentira acaba por precisar de duas.” (George Herbert)

Fatos são fatos, não podemos mudar a natureza das coisas. Horários são horas a serem cumpridas, não fazemos voltar o tempo, como em Thereza Christina Rocque da Motta, “... Os relógios se detêm / sobre as horas mortas...” A invenção da verdade é usada por quem inventa uma desculpa. Não podemos passar todo o tempo testando as pessoas, nem reinventando os fatos que mais tarde servirão como esfarrapadas desculpas. “Não quero me desculpar / De desculpas que possa ter / Uma vez que culpas há / No simples fato de ser...”. (Ronaldo Monte de Almeida)

É preciso decidir qual a vida e quem queremos ao nosso lado e à nossa frente, porque não necessitamos de desculpas para viver e saborear a vida. Temos convivido com fatos e acontecimentos, no dia a dia, que nem com desculpas trazem de volta a nossa dignidade e a nossa razão de ser.

Penso que atualmente as palavras perderam seus significados. Como perdoar alguém se a desculpa não é sincera? Helena Kolody escreveu que “Se há um agravo pungente a perdoar, / é tempo, é hora // O mais fundo rancor não resiste / a um apelo de braços abertos.”

Errar é humano, persistir no erro, burrice. Ouvir desculpas pelo erro intencionalmente cometido é não nos considerar como pessoas capazes de reconhecer o certo, o errado e o falso e, nesses casos, não há sinceridade na desculpa.