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A CADEIRA

por Tânia Du Bois

 

            A cadeira, com ela nasce um novo conceito.

            Você já sentiu a sensação de uma cadeira estar olhando para você? Ou já se deu conta da importância da cadeira? Segundo Pedro Du Bois, “... a cadeira representa a segurança do passado no que lembra...”

            Há muito anos, para conseguir o meu primeiro emprego, em uma escola, foi necessário fazer teste de artes cênicas, frente aos professores do colégio e a banca de avaliação. Eles chamavam o candidato e colocavam um objeto no palco. O candidato tinha de criar algo, na hora.

            Para mim, foi uma única cadeira, naquele imenso palco. As pessoas esperavam “luz, câmera, ação”, mas ouviram minutos de silêncio. E nesse exato momento tive a dimensão da importância de uma cadeira, mas, lá estavam a cadeira e eu – o destaque do momento -, e aquela platéia esperando o “show”. Bem colocou Cid Corman, “... me dá vontade de gritar / olha a gente aqui! – mas / percebo que // Sabemos cada qual / no seu próprio silêncio / quanto cada qual sabe.”  

            Assim, tive a sensação de que a cadeira estava me olhando, pude sentir a sua presença e o objeto falar comigo. Ela e eu soubemos conquistar os nossos espaços. Ela chegou para ficar e eu consegui o trabalho.  Como escreveu Ferreira Gullar: “... a cadeira não é tão seca / e lúcida, como / o coração.” Nosso encontro fez a diferença, ela contribuiu para alcançar o meu objetivo, porque atraiu a atenção de todos. Nas palavras de Nicolau Saião: “... cadeira: imóvel / vivo / e fixo / figura incomparável que se estende //... - um monstro mudo... a olhar-nos.”

            Coloco a cadeira como ponto chave. Ela, com sua “autonomia”, me fez acreditar nas mudanças e na necessidade de implementá-la com visão clara dos fins; a cadeira demonstrou a existência da alternativa: criar para vencer, como em Mário Quintana: “tenho uma cadeira de espaldar alto //... levemente balanço entre uma e outra vaga de sono.”

            O poeta Salete Aguiar, em seu livro Na cadeira de meu pai, reflete na poesia a passagem de questões envolventes em cada motivo, trazendo para perto do leitor as histórias do coração. “Na cadeira do meu pai estou sentado, / mas filhos não querem colo, / querem asas...”

            Hoje, me encontro em momento especial, sentada na cadeira de balanço da bisavó, enquanto olho o mar, balanço as ideias e repasso as situações vivenciadas, diferentes entre si, onde encontro a razão da diferença em minha vida, como reflete Eduardo Barbosa, “Sua varanda tem sombra / cadeira de balanço branca / uma bela vista do jardim / Bichano carente, livros e paz...”