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ELOGIAR

por Tânia Du Bois

 

“Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.” (Freud).

           

            Abro espaço em minha vida para as atividades do cotidiano, mas resisto em considerar algum espaço para dar e receber um elogio ou auto-elogio. O auto-elogio, por vezes, incomoda e até constrange. O elogio incentiva, dá a força e o apoio que me mantém entusiasmada para seguir em frente. Cabe elogiar a todos os que mereçam, porque revelam a coragem do ato, do gesto, da competência e, ainda, fazer justiça a alguém torna menos árdua a sua luta pela sobrevivência. Segundo Shirley Souza, “Uma vida em amostra ao mundo / Toda uma história expressa em camadas / As marcas de uma jornada / Demonstrada por meras palavras...”. Machado de Assis expressa, “Eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os,eles fazem bem à alma e até ao corpo”.

            A sensação ao dar ou receber um elogio é de que existe um vasto mundo e o desejo de vê-lo é mesmo que seguir em direção a novos horizontes, porque o ato de elogiar pode levar a pessoa à nova perspectiva de vida, e nortear a sua área de trabalho. Em outras palavras, o elogio é o reconhecimento e a consideração que leva ao despertar do interesse em realizar algo transformador; proporciona ao elogiado a experiência do prazer como sensação de “alumbramento”.

            Todo processo de escolha tem real inserção na vida das pessoas, auxilia na questão do potencial. E isso vale a pena porque torna alguém feliz e reconhecido, dentro da vitalidade da cultura. O importante é ter consciência de que o elogio precisa ser verdadeiro para cumprir a sua finalidade: valorizar e defender a ideia.

            Dentro dos elogios possíveis, reconheço-os na Literatura de Cordel: literatura popular de que nos diz Mariana Albanese:”a Literatura de Cordel, do fundo dos tempos chegou para ficar com versos singelos e desenhos belos, espalha notícias e ajuda a ensinar”.

            A origem da Literatura de Cordel é a poesia falada: o repente; o dia do Poeta da Literatura de Cordel é comemorado em primeiro de agosto: o versejar nordestino. Os folhetos são vendidos, até hoje, em feiras e mercados, expostos em varais.

            O Cordel é literatura popular porque o poeta traduz em versos o seu dia a dia, a sua cultura, sua religiosidade e sua mística. Entre tantos poetas, saliento José Maria do Ceará que, em Gramática em Cordel, versejou: “As letras trazem fonemas. / E para mais claro ficar, /Os fonemas são os sons / Que usamos para falar”; bem como Moreira de Acopiara, em Nos Caminhos da Educação, “Um analfabeto é, / Ao meu ver, um sofredor / Que é facilmente oprimido. / Mas já disse o professor; /” A educação liberta / Oprimido e opressor”.

            O Cordel: jornal do sertão – livreto, folheto que merece elogio e reconhecimento pela criatividade artística: plástica e literária; pelo incentivo à cultura sertanejo-nordestino; pela qualidade dos textos e entusiasmo dos repentistas; sem exagero, o Cordel atinge a perfeição do versejar sertanejo.