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FLORES

por Tânia Du Bois

 

            Ignorando todas as regras e o bom senso, as flores nos levam a reviver expectativas emocionais: poemas e flores elevam o pensamento. Segundo Abgar Renault, “Sempre que eu via uma silvestre flor, / beijava-a, e adeus dizia ao meu amor.”

            Flores pela casa lembram momentos especiais e fazem o coração bater forte, como se conseguíssemos repetir a mágica do instante: no perfume e nas cores, decorado com amor e alegria. Encontro em Dorival Caymmi , “Nada como ser a rosa na vida / Rosa mesmo ou mesmo rosa mulher / todos querem muito bem a rosa...// Rosas formosas são rosas de mim...”

            A visão das flores pode ser romântica, quando escolhemos as rosas vermelhas, por exemplo. A cor da flor escolhida marca presença e dá o toque especial para a ocasião. Cartola escreveu que “Bate outra vez / com esperanças o meu coração...// Volto ao jardim / com a certeza que devo chorar / Pois bem sei que não queres voltar para mim // Queixo-me às rosas, / Mas que bobagem / As rosas não falam / simplesmente as rosas exalam / o perfume que roubam de ti, ai...”

            O mistério aqui é a beleza das flores que movimentam a nossa vida: sorrimos ao apreciá-las e elas são importantes na estimulação dos sentidos; ou seja, na natureza buscamos o prazer de viver e as observamos como se elas fossem um dos segredos da natureza: equilibram e nos inspiram e ao senti-las espalhamos palavras e boas vibrações.

            O contato com as flores também estimula a imaginação e ajuda a entender os conceitos do tempo, como o desafio ao olhar o girassol é o da realização. Além de enriquecer a beleza da paisagem, cria peculiaridades na palavra escrita, como Júlia Du Bois Araújo Silva descreve, “O girassol segue o sol / O sol guia o girassol / Ai, meu Deus, o girassol / é tão belo / Ficou até amarelo.”

            Flores transitam sensibilidade, assim como poetas transitam artes. Suas conquistas são incentivos para reinventarmos a vida e escrevermos sobre as flores com significância. Geraldo Vandré, no final dos anos 60, fez Prá Não dizer Que Não Falei Das Flores, “...ainda fazem da flor / Seu mais forte refrão / E acreditam nas flores / Vencendo o canhão //...O amores na mente / As flores no chão / A certeza na frente / A história na mão / Caminhando e cantando / E seguindo a cação / Aprendendo e ensinando / Uma nova lição.”

            As flores simbolizam desarmar o outro e contornar conflitos. Aliviam os males da alma, tornam a vida mais bela, despertam a felicidade, encantam os poetas. Elas são poderosas armas de conquista, demonstração de receptividade e acolhimento.

            Somando todos os pontos, as flores são uma espécie de elixir mágico, vistas como transformações do tempo. Lembram que cada dia pode ser cultivado com nossos gestos, com regras amigáveis em nossa maneira pessoal. Nas palavras de Sonia Regina, “...no vaivém do vento as flores se completam / e a nossa nudez realiza o movimento dos astros...”