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a Hora da Júlia

por Tânia Du Bois

 

“Na hora / (cedo) / cedo / ao cansaço // recolho o corpo / à cama //

os olhos cedem / ao escuro, a mente / cede / ao espaço:/ sonho.”

                                                                                (Pedro Du Bois)

           

            Horas são épocas lembradas, impressões desenhadas no reconhecimento, histórias recontadas e relembradas nos atos e no sonho em descobertas.

            Estou falando da hora em que as crianças demonstram algum interesse no processo criativo, onde sua capacidade de abstração vai surgindo em seu tempo. A linguagem se apresenta simples, concisa e responde às suas expectativas. Porém, em situações específicas, é importante reconhecer o seu poder e a criação quando se inicia.

            O escritor Mário Faustino teve a sua em O Homem e sua Hora, único livro publicado por ele, onde reúne poemas esparsos (1948) e inéditos. Segundo Benedito Nunes, é uma “obra reflexiva não só porque acolhe o pensamento, a inteligência abstrata ao lado da ressonância onírica e intuitiva da imagem, mas também porque se desdobra numa reflexão sobre a poesia enquanto criação verbal...”

            No caso, Júlia Du Bois Araújo Silva, com apenas seis anos, iniciou seu processo de criação verbal e individualização na poesia, quando teve seu interesse despertado na atração pelas palavras e pelos livros, desde bebê. o que contribuiu para a formação da sua identidade; um papinho com a poesia numa busca que explora o prazer pela arte.

            Com sua pequena criação verbal, ilumina as nossas esperanças, fazendo com que possamos reconhecer na leitura a indicação do caminho na representação da expressão; a hora em que Júlia é origem na constatação que a levou à observação, naquele instante, sobre seu cenário: o espaço e suas estrelas.

            A hora de Júlia aponta e traduz o recorte de um ambiente vitorioso, fragmentos do lar e da escola que, desde já, retratam a previsível futura poeta, ao recitar o poema ESTRELAS, de sua autoria: “Estrelas, oh, estrelas / Fico tão feliz por vê-las // Estrelas apareçam. / Estrelas, oh, estrelas.”

            O seu pequeno poema revela a Julia reflexiva, que deseja uma troca profunda com as suas aspirações. Enquanto pequena escritora é importante valorizar o seu momento, bem como o seu entendimento que, ao recriar, adapta a situação ao seu ponto de vista. Na visão de Mário Faustino, “Tudo o que importa é maravilhoso. // A maravilha: o gesto de inocência. / E de aceno o milagre a renascença / de deslumbrados olhos infantil...// - Ah, quem pudesse / gritar à noite e ao tempo essas palavras / e partir pelo vento semeando versos...”