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RETRATO de Humberto Mauro

por Tânia Du Bois

 

            Humberto Mauro (1897 – 1974) retratado como o Poeta do Cinema, foi o pioneiro do cinema brasileiro e inspirou o cinema novo.

           

           “O cinema falado / É o grande culpado /

            Da transformação / Dessa gente que pensa...”   (Noel Rosa)

 

            Humberto iniciou no cinema com um curto de 5 minutos, o filme Valadião, o Cratera, em 1920. Logo depois fez dois longas metragens: Na Primavera da Vida e Thesouro Perdido, e o mais interessante foi que ele atuou como vilão, seu irmão Bruno como mocinho e a sua mulher, D. Bebê, como a donzela. Foi considerado o melhor filme brasileiro, pela revista Cinearte, em 1927.

            Dois anos depois montou, dirigiu e fotografou o primeiro documentário,  Cataguases,  e produziu dois filmes dramáticos: Brasa dormida e Sangue Mineiro.

            Em 1930 fez a comédia Lábios Sem Beijos, junto com Adhemar Gonzaga, que sofreu severas críticas moralistas. Três anos depois deu a volta por cima com o filme Ganga Bruta, que o consagrou como cineasta na visão de Nelson Pereira dos Santos e de Glauber Rocha, que declarou: “Mauro parece encerrar o impressionismo de Renoir; a força de Eisenstein; o humor Chaplin; a composição de Murnau.”

            Também, produziu o musical Favela dos Meus Amores (1935), com um elenco especial: Ary Barroso, Custódio Mesquita, Silvio Caldas e Orestes Barbosa.

            No ano seguinte, outro musical: Cidade Mulher, filme com letra e música de Noel Rosa (a música título do filme):

CIDADE MULHER

Cidade de amor e aventura / Que tem mais doçura / Que uma ilusão //... Cidade notável / Inimitável / Maior e mais bela que outra qualquer / Cidade sensível, / Irresistível, / Cidade do amor, cidade mulher...”

            O triste é que os dois musicais foram perdidos num incêndio, o que levou Humberto a ingressar no Instituto Nacional do Cinema Educativo, onde produziu mais de 350 documentários, entre eles: Cantos do Trabalho, que trata da cultura brasileira. Durante suas folgas, filmou a superprodução O Descobrimento do Brasil, retratando a chegada de Cabral.

            Em 1974 fez seu último documentário: Carro de Bois, filmado em sua cidade natal, Volta Grande. Faleceu naquele mesmo ano.

            Encantei-me com suas obras por trazerem cultura, criatividade, bom gosto, conhecimento e, ainda, por preservarem a nossa história. Documentários e musicais que até hoje são considerados obras de arte, devendo ser apreciados em cada ousadia de suas linhas e movimentos.

            Luz, câmara e ação! Pura sensibilidade e emoção traduzida em cada palavra, surpreendendo-nos com seu estilo transformador e renovador. Humberto deixou sua marca para que pudéssemos vivenciar o seu mundo de fantasias – verdadeiro universo de bem estar; e como disse o nosso poeta Vinícius de Morais, “O cinema é infinito – não se mede / Não tem passado nem futuro. Cada / Imagem só existe interligada / À que o antecedeu a à que a sucede.”