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MUDAR, agora?

por Tânia Du Bois

 

 

            Mudar é revolucionar a vida. A palavra mudança gera trabalho, esforço, alegria e tristeza, dependendo do ponto de partida e de onde se queira chegar. Luiz de Miranda enfoca que “A vida anda, / vive e respira, / longe da ira das palavras.”

 

            Mudar representa a opção da pessoa, a expressão de um povo revelando sentimentos de poder pela beleza dos gestos. Nas palavras de Pedro Du Bois, “Mudar // Inverso: recolho da imagem / o tempo passado / e o remeto ao hoje // fotografado / no instante / da mudança.”

 

            A mudança é considerada poderosa ferramenta, que exige a escolha de pensamento crítico, complexo e criativo; e ainda altera o panorama crítico sobre as questões ocorridas durante os impactos no setor cultural, mudando a paisagem. Na visão de Lima Coelho, “... extrema saudade! Tristeza que não se acalma, / Resumo doce e amargo de um sofrimento,/ Que me faz meditar, a todo momento.”

 

            Será que estou preparada para a mudança? Sinto-me no palco de um teatro: ”ser ou não ser, eis a questão”- ir ou não ir, eis a reflexão. O momento de tomar a decisão é único, como se cada nova transformação refletisse a minha mudança interior. Mudança marcada por emoções difusas, entre elas, certo medo, que me leva a questionar se tomei a melhor decisão: o pensamento não para de propor novos desafios e questionamentos.

 

            Mudar agora é estar à frente das novas configurações, que se unem tanto quanto se limitam, diante do meu comportamento vivido no ritmo das transformações e reflexões. Vivo a descontinuidade expressa ao mesmo tempo em que, por força da vida, dos homens e de suas opções, deixo meu universo preso à minha decisão; o importante é procurar melhorar a qualidade de vida, como em Alberto da Cunha Melo, “... Os homens não se medem / pelo tamanho de seus horizontes, / mas pela insistência em alcançá-los.”

 

            Por trás de cada efeito de mudar, levo em conta que existe registro de vivência e interferência feitas acerca da minha vida. Entendo o quanto posso constituir vínculos diferenciados, espaços delimitados como início. Olho para as novas configurações de maneira flexível, tolerante ante o acontecido, mas não deixo de sentir, mesmo que por alguns instantes, saudades do tempo que ficava surpresa com a novidade. Exijo de mim paciência e dou tempo ao tempo para me adaptar e adequar a minha atitude em relação às nuances.

 

            Sophia de Melo B. Andersen diz, “... A minha pátria é onde o vento passa, / A minha amada é onde os roseirais dão flor, / O meu desejo é o rastro que ficou das aves...”

 

            Falar em mudar é como falar no tempo feito de demoras, na consciência da visão, no vulto complexo do reflexo, na preocupação do futuro, no transfigurar a saudade, no transgredir o espanto, no desvendar o sigilo ao pressentir e decidir ver outras faces no espelho que quebrou.