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ROBERTO CIDADE: a expressão gaúcha no espaço vazio

por Tânia Du Bois

 

“... a morte entalha os caminhos/ e nos carrega em lembranças //... na falta que fazemos ao tempo não decorrido / reside à dúvida da continuação / em vazios espaços...”  (Pedro Du Bois).

 

            Roberto Cidade – Roberto Augusto Machado Cidade –, reconhecido criador nas artes plásticas, representou a expressão que revela os sentimentos através de suas esculturas, escolhendo o metal na sua trajetória artística. O escritor Armindo Trevisan apresentou o trabalho de Roberto, com reproduções, em Escultores Contemporâneos do Rio Grande do Sul. Escultor com participações e distinções em diversos salões e exposições no Brasil e no exterior.

            Roberto Cidade foi um escultor que manifestou o sentido da liberdade através de suas obras, com a utilização de sucata, fundida em bronze, que desnudam a natureza humana quando diante dos espaços vazios.

            Pensar na razão por que alguém ocupa ou determina a hora da morte, ou de atacar o autor dos “Guerreiros”, é estar diante da reação em relação ao espaço vazio em que se encontra; é perder a sensibilidade, a essência e retornar em vazios onde o tempo, as lembranças e as artes plásticas sucumbem vítimas da barbárie.

            São dolorosas e amargas as palavras do amigo Armindo Trevisan: ”Como choro agora... pelo Roberto trucidado na presença do filho, de oito anos, que dormia no mesmo quarto! Foi esse garoto quem descreveu à polícia a reação do pai à tentativa do roubo.” 

            O fato revela que o gesto é a sombra que nos leva e torna os espaços vazios em claridades – ou as razões para entender o fato, com a finalidade de nos fazer acreditar que podemos ocupar o espaço vazio como lembrança: as esculturas de Roberto Cidade, deixadas como mosaicos na história das artes.

            Indignada pela perda do grande escultor, consolo-me admirando sua escultura “Guerreiro” depositada em minha sala. Choro ao pensar que ele não mais produzirá suas obras; choro ao sentir que ele não mais se encontra aqui e que, tendo se situado no mundo através da sensibilidade, foi vítima da violência.