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“VERDE que te quero VERDE”

por Tânia Du Bois

 

“A tinta verde cria jardins, selvas, prados, / folhagens onde gorjeiam letras, /

 palavras que são árvores, / frases de verdes constelações...”  (Otávio Paz)

 

            “Verde que te quero verde” é a expressão do desejo, mas não basta só querer, é preciso cultivar plantas como atividade prazerosa. Não requer técnica sofisticada e nem muito trabalho, e sim uma dose de carinho, luz, água e vento. Necessito do verde para realizar o meu projeto de vida. Sou a energia de um lugar onde tenho imagens de folhas caindo com o vento. Sou como as folhas que têm sua época certa para fertilizar, murchar, cair e morrer. Mário Quintana escreveu, “Quem é que pode parar os caminhos? / E os rios cantando e correndo? / E as folhas ao vento? / E os vinhos.../ E a poesia...”

            Dizem que as plantas, além de bonitas e decorativas, trazem bons fluídos para dentro de casa. E mais, que devemos conversar com elas. Não sei se acredito no poder das plantas de influir no ambiente. Seria crendice? Lembro que a crença vem de longa data, mas se considerar seus nomes, pensarei diferente, porque são sugestivos, como: comigo ninguém pode; árvore da felicidade; costela de adão; espada de São Jorge, e outras mais. Alguns paisagistas afirmam que as plantas têm poderes especiais e protegem contra as forças do mal. E também atraem dinheiro, sorte e felicidade.

            Não me iludo: bons fluídos combinam com diferentes tons de verde, e ocorre-me que as plantas podem não gostar de viver entre quatro paredes, ficariam como velhos muros: presas. Como diz Carmen Presotto, “... vaso de flor! / Planta de apartamento / Arquitetura adubada / Terra envasada / Mãe natureza / Eterno é ser enjaulado entre muros...”

            Se as ideias fossem plantadas, de que cor nasceriam? Pedro Du Bois em seu livro Flores e Frutos, “... as flores não dizem palavras / nem saem dos lugares / brotam afloram desabrocham / são tornadas belas e admiradas / fenecem em sementes / e não são lembradas.” e no, livro também de sua autoria, A árvore pela Raiz, “Forte/ ao solo / imersa / hidropônica / ao vento / relata o sentido / do verde...”

            Como tudo na vida tem seus segredos, o verde tem o poder de desenhar nossas vidas. Não se trata simplesmente de admirar o “verde que te quero verde”, e sim tentar mudar e repensar os valores para preservar o ambiente. Nas palavras de Thiago de Mello, “...Permanecem os amigos. / Poucos. Mas capazes / de atravessar o mar / só para me levar uma flor...”

            Penso nas plantas, mas não sou verde. Apenas gosto do verde. Confusa com as flores coloridas, perco a memória – resta só o perfume, o cheiro de verde. Como num itinerário de coisas e pessoas. Por essa razão tenho consciência de cuidar, manter, preservar o verde, para colher resultados das ações praticadas.

            O verde é inspiração para inovar, ele não se constrói sozinho – disseminamos conhecimento, ideias para integrar, buscar motivação, porque quando vou em busca do desejo, as coisas fluem e assim funciona minha vida e isso faz a diferença.

             Alain-Fourmer, no livro Bosque das Ilusões Perdidas, descreve a floresta romântica e poética onde decorre a aventura sentimental; Alejo Carpentier, n’A Sagração da Primavera, relata um romance político, marcado pelas mudanças: como o renascer na primavera.

            “Verde que te quero verde” é como luz em busca de cores, que marca o encontro: estar livre para escolher como quero viver, porque no mundo verde a realidade é assumir a nossa verdade, como em Thiago de Mello, “... És tudo o que eu quero, o que eu espero, / és a manhã de sol, és noite de luar, / és o verde que sonhei...”.