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ABELARDO da HORA: Meninos de Recife

Abelardo da Hora é um grande artista pernambucano. Sua obra é universal e traduz muito da alma do povo brasileiro. Como dizem Abelardo “de todas as horas”,porque suas esculturas brotam do cotidiano, da existência, da fala das coisas comuns. Transmite em suas obras o espírito de luta, com vigor expressionista, tendo influenciado o início da carreira de Francisco Brennand.

Na sua obra encontra-se a força do ritmo dos movimentos cristalizados em traços simples de gestos rápidos e incisivos. Como as esculturas: “Hiroshima” e a série “Meninos de Recife”. Ele retrata a beleza explícita, ao reproduzir em suas esculturas a realidade que está na nossa frente e não a queremos ver e em algum dia de sua luta, escreveu o poema “Meninos de Recife // São habitantes anônimos / dessa cidade alagada, / de limo e pedra formada / sob marés / submersa // ... são apenas habitantes / dessa cidade alagada. / Atirados sobre a lama. / Sobre as marés da desgraça”.

Lutas que travou com o barro, espátulas e enormes formas de gesso. E, através da obra “Meninos de Recife”, com sua espátula em punho, transformou a angústia em esculturas, mostrando ao Brasil que eles precisam da esperança por dias melhores.

Segundo Francisco Brennand, seu aprendiz: “A contribuição de Abelardo da Hora, a partir de 1942, foi decisiva no sentido de que, pela primeira vez, essa criação caía nas mãos responsáveis de um verdadeiro artista coberto de talento e criatividade”.

Ao buscar Abelardo da Hora descobri que, aliado a um estilo de vida, fez muito pelos“meninos de Recife”, tendo, assim, desempenhado importante papel na sociedade brasileira.

Abelardo da Hora: desenhista, gravurista, ceramista e escultor; chegada a sua hora, aos 90 anos, no dia 23 de setembro 2014, deixa para as nossas horas o seu talento para o nosso deleite.