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ESCREVER com ARTE

por Tânia Du Bois

 

“Escrever é partilhar. Partilhar ideias e expressões.” (Jorge Xerxes)

         

          Acentuo a importância de escrever, no sentido maior, diante da realidade, ao realçar a lógica: perceber e conhecer as coisas.  Todos têm histórias para contar: alegres ou tristes. Somos o resultado das nossas leituras. Segundo A. Alvarez, “Escrever é buscar a espontaneidade”.

          Escrever com arte é atividade sem sossego e tem engajamento com a vida. É buscar no processo criativo as múltiplas realidades, porque expandir a realidade é transformá-la, e estar atento ao sentido do que se escreve e se lê. Não a verdade do mundo, mas a verdade que temos em nós, os novos olhares sobre as questões culturais e, em um planeta globalizado, a necessidade do aprendizado, no verdadeiro sentido das palavras. A arte de escrever, para Mário Quintana, “é por essência, irreverente e tem sempre um que de proibido; algo assim como essa tentação irresistível que leva os garotos a riscar a brancura dos muros”.

          Este mundo de ambiguidades sobre o escrever, mostra o eu de cada escritor e o que ele se determina como tal. Equilíbrio que faz a diferença e demonstra o talento de cada um. Encontro em Pedro Du Bois, no seu livro A Mão Que Escreve:“...escrever na saudação do dia / esse dia não tem fim.” e, em João Cabral de Melo Neto, “escrever é sacrifício / que se mede pelo avesso: / de um lado o prazer do ofício, / do outro, o caminho crespo.”

          Ao escrever usamos metáforas para descrever o mundo, a paixão, a dor, os sons e os ritmos da vida. O que nos permite buscar o essencial dos significados e significantes, com nossas diferenças de estilos: liberdade, que muitas vezes, propõe um caminho para encarar a vida com leveza. Como o livro de ensaios, A Escrita, O olhar e o Gesto, de Maria Dos Prazeres Gomes.

          As diversas escritas anunciam o mundo da imaginação revelado em palavras e expressões, que assumem aspectos mágicos: horizonte lírico e a forma intensa numa coesão de palavras em que o tempo nos lê, como mostra Fernando Andrade, “... Escrevo para / Marcar o tempo / Passar o tempo / Lembrar o tempo.// Às vezes / preciso mais, / Às vezes / Menos.”

          Em qualquer tempo, do tempo, na hora de escrever adotamos nosso pensamento ao criar no verso e na prosa as palavras reflexivas, os segredos, a análise do mundo, a lucidez da visão, a solidão, o amor, o descaso, a ironia e a fantasia. Isso pode definir a maneira de escrever a ser consolidada com o leitor, para que ele reconheça e torne efetiva a igualdade de gênero e a diversidade de obras, como em Álvaro Campos: “Depois de escrever, leio.../ Porque escrevi isto? / Onde fui buscar isto? / De onde veio isto? / Isto é melhor do que eu.../... alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...”, e Líris Letieres, “O que escrevo às vezes, estanca / como sangue coagulado / Para, suprime a palavra / cala a boca, o pulso. / O que escrevo às vezes, despejo / Como jorro, aflora / Despenca peito a fora...”