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O AVESSO do VERSO

por Tânia Du Bois

 

          O livro de Luiz Otávio Oliani, entre-textos, faz descobrir o avesso do verso como desafio para seguir anunciando a poesia como o instante de diferença na vida do leitor, porque a voz do autor brota na impressão do poema do outro autor.

          Entre-textos revela as tramas da palavra na sensibilidade dos poetas, revertidas na expressão da linguagem, realçando o avesso do verso como impulso literário, o que dá sentido, quando resgatadas no dia a dia, provocando reações emocionais ao conduzir o leitor para o caminho de lazer e prazer.

          É leitura em que o leitor se beneficia da oportunidade de conhecer vários poetas na liberdade de seus pensamentos, dando à existência o sentido mágico, libertador aos olhos do entendimento; como no verso Poema, de Carmen Presotto: “... faz-se o verso, / tece-se a vida... / nossa estrada / e moradia // zigue zaguear de dedos / palavras pensamentos / parapeitos do ser // ecoam...” e no avesso Receita, de Oliani: “na mesa do poeta / rabiscos // guardá-los para quê? // o texto / a nascer / da memória // o poema / é libertação”.

          A obra mostra o reverso como avesso do verso, onde o verso é de variados estilos e autores e o avesso (reverso), de Oliani. Os textos divagam o sentido para reconhecer a literatura como um valor em si, ao oferecer ao leitor a essência dos poetas na poesia do autor; como o verso Epitáfio, de Rogério Salgado: “Aqui nasce um poema / enquanto o poeta / falece na composição amarga / de rasurar sua dor”, e no seu avesso Epitáfio, de Oliani: “aqui jaz Oliani / cujos versos mínimos / traduzem / o verbo contido”.

          Também o leitor pode se situar como diante de espelhos que refletem perfeitamente as ideias e os ideais na diversidade dos temas. O que se vê é poesia de quem espera algo acontecer, na perspectiva de elevar a voz dos poetas e levar o leitor a folhear com requinte as páginas do entre-textos, na finalidade de resgatar a palavra como conceito e ideologia, no momento em que a arte e o pensamento são voltadas para os campos luminosos das peças da imaginação; assim, o verso Lição de Astronomia, de Ricardo Alfaya: “Certa lua tinha mil sóis. / Sem luz original alguma, / brilhava mais que todos”, que recebe o avesso Lição de Português, de Oliani: “amar, verbo transitivo? / amar é verbo de ligação / entre dois sujeitos”.

          É com o olhar de entendimento em profundidade na natureza de poeta que o autor demonstra na obra a experiência que ultrapassa os limites até então convencionais: “projeto nascido no facebook.... a literatura que encantou pelos vieses diferentes que autores produzem sobre a mesma temática”.

          Oliani repassa não apenas um novo conceito, mas a ferramenta que muda a consciência do leitor, sem descuidar da função artístico-literária, como no verso O Rosto, de Jorge Ventura: “Assim / o mim, / Em cada rosto / a ser exposto, / uma expressão. // Um turbilhão / de meus eus, / áureos e erros. / Duas faces, / dois disfarces. / Por que sou avario? / Porque sou diário”, e no avesso Controverso, de Oliani, “assim / o mim / sucumbe ao eu / e me expresso / em duas faces / não sou o tu / não me rendo / a outro disfarce”.

          Ao sobrepor os poemas, Oliani comunga o tema em ideias e estilos diferentes ao espelhar a importância de cada um dos autores, reconhecendo na arte de escrever o respeito mútuo inerente a cada poema, o que proporciona ao leitor o deleite e o diálogo na liberdade consentida através da passagem para desvelar o verso em seu avesso.