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A VIDA ENSINA..

por Tânia Du Bois

 

          A vida ensina... é sinônimo de tempo, crenças populares, contos, causos e histórias: “voz do povo, voz de Deus”. Posso dizer que a voz do homem tem poderes mágicos.

          É tempo de ler o livro de Luis da Câmara Cascudo, Coisas que o Povo Diz, que revela a imagem que atravessa o tempo em palavras da crença popular. Segundo o autor, “A voz humana tem o poder fecundador”: o povo conta histórias vividas, ouvidas, presenciadas na cultura popular. Elas surgem com as convergências inevitáveis na técnica de “quem conta um conto, aumenta um ponto”.

          A cena é imaginável, pessoas reunidas conversam e, na hora mágica, no auge do entusiasmo, falam segredos como se fossem palavras vivas, ao passarem a imagem de perfeição na intenção, como elemento favorável à confiança do povo. Como, por exemplo, Arrancar a máscara, um dos ditados encontrado no livro, que segundo o autor significa “evidenciar a verdadeira face”.

          Avessa, a história sem nenhum fundamento chega ao plano de criação onde é permitido à memória popular a lembrança dos mistérios no entendimento de cada um. Como diz a lenda, que o desejo de mulher grávida, assume proporções de dever social para com a sua satisfação. E, caso o desejo não for atendido, o filho nascerá com a boca aberta ou com a “cara” do objeto desejado.

          A vida ensina a ouvir o que o povo diz em suas crenças mais confessáveis, que vão além e aquém. Soltar a imaginação e ousar a fantasia como encontro supersticioso, onde identificamos os costumes através da origem; quando expressamos “são outros quinhentos”, significamos “são outras razões...”, para expressar a liberdade de se expor com palavras. O segredo está na ênfase da história contada, no encantamento, no envolvimento do fato, onde há verdade nas coisas que o povo diz. Nas palavras de Adelmar Tavares (1888-1963),”A verdade popular / Nem sempre ao sábio condiz, / Mas há verdade serena / Nas coisas que o povo diz.”

          A vida ensina que é bom ficar atento e aberto às histórias contadas pelo povo, porque são nos seus gestos que identificamos atitudes supersticiosas como mitos que originam a lenda popular. Segundo Hermenegildo Bastos, “o mito não se desvela. / mas há outros metros, / véus de si próprios:/ o claro e o escuro...”.

          Coisas que o Povo Diz é literatura que revela os segredos do povo que, ao brincar com as palavras, as tornam crenças populares.

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