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FIOS que TECEM

por Tânia Du Bois

 

“o poeta fia o mundo / no casulo da linguagem // qual bicho-da-seda /

 se alimenta / de palavras.”  (Luiz Otávio Oliani)

 

            Quem nunca se perguntou como os escritores conseguem tecer palavras com fios diversos, e principalmente sedutores? O trunfo é revelar o que escrevem para conquistar a página em branco. Nas palavras de Luiz de Miranda, “De repente aprendemos / que as palavras sozinhas / não tecem a poesia / que só podemos tratá-las / ao calor da vida / e mesmo da melancolia / retiramos o mel da esperança.”

            Cada escritor é um universo que se apresenta no tecer os fios: o diferente é interessante. Ao permitir-se tecer os fios do pensamento, expressa livremente seus sentimentos, prendendo minha atenção, como no poema Fios Retorcidos, de Carmen Presotto, “Se escrevo, é para um dia renascer. // ...Sonho desvendar segredos... / juntando meus pedaços, / parecerei inteira... / Enquanto um finge, o outro eu vive. // Um dia / Palavras cruzadas / Fios torcidos /Balões e coloridos domingos / crescerão...”

            Fio de Prumo é o livro de Maria Helena Latini; possui o fio das palavras que tece a poesia no prumo de onde nos mostra a realidade e os sonhos, em ajustamento exato. E Nilto Maciel, em seu livro Menos Vivi do que fiei palavras, tece o fio da arte em crônicas, que revelam o cotidiano de escritor.

            Reconheço os escritores em pequenas coisas do dia a dia, como quando ouvíamos que a palavra valia mais que um fio de bigode; segundo Gabriel Garcia Marquez, “Dou valor as coisas, não por aquilo que valem, mas por aquilo que significam.”

            Rompo com o padrão do sentimento, agrego o telefone sem fio e me surpreendo com o poema de Pedro Du Bois, “O telefone é um objeto através / do qual as pessoas desatendes: / o telefone é o ícone / do objeto que sofre a dor / alheia: o chiado, as descargas, / a nudez temporária e o fato / de não se receber qualquer chamada / faz parte do sono do aparelho...”

            E, mesmo que na contramão, sigo a pista dos obstáculos, como o fio de luz desencapado, que vejo em Rodrigo de Souza Leão, “Pânico no circo / aladodas têmporas / ...volts em volta / Eletrodos todos...”

            Sonhar é bom quando não preciso andar sobre o fio da navalha, Max Martins tece, “Eu / sou frágil / embora ágil sobre o arame: // Por um fio te envio (viaja) meu lírio...// Tu / também és frágil / embora hábil / campo de espera: // Por um fio teu laço chama, meu rumo ateias. Teces...”

            As palavras tecem momentos de riqueza na literatura, compondo vários tipos de fios: Fios da Esperança, com Shakespeare, “Não tem outro remédio o miserável senão a esperança. Preparado para a morte, espero a vida.”; Fios da Lembrança, com Dante Milano, “Esqueço-me dos anos e dos meses, / E dos dias, das datas. Mas às vezes / Lembro-me de momentos. // ...Lembranças, não antigas, mas presentes. / Lembranças, não saudades, as ausentes. // ...Lembro-me antigamente do futuro...”; Fios  de Fabular, com Denis Radünz, “O fio de fabular a fala / espuma na infância e fale / em flor de falhas: / fia o fóssil do afã e inflama / o fiapo de fábula...” Busco na vida o complemento para adocicar as conquistas pessoais, encontro calda em fio e fios de ovos, “ Palavras doces / edulcoradas frases / adocicados parágrafos //...açucarados livros...”

            Lembro que os fios vem dos poetas, quando tecem momentos de riqueza interior, como em Fios de Luz, aromas vivos: leitura de Retrato de Mãe, soneto de Jorge Tufic, por Rogel Samuel,”Venham os fios de luz para tecê-la, aromas vivos para senti-la, às palavras do filho para descrevê-la.”

            Ancorar a vida é construir, tecer palavras sólidas para marcar presença pela autenticidade. O ponto expõe um ângulo novo para tecer os fios e me enriquecer, ainda assim, a vida fica por um fio, como em Pedro Du Bois, “O fio esticado Tece / As mãos / Feitas / Em tecidos // O pano aumenta / A estampa // Os dedos / Calos / De mão / Nervuras // O fio rompe a vida / De quem tece”, e em Ronaldo Monte de Almeida, “Da vida por um fio / a morte tece seus panos...”