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PINTAR também é ESCREVER

por Tânia Du Bois

         

“Sombra da obra / nova / projetada / sobre a cultura /

anterior / obscurece / engloba / transforma / ilumina”.

                                                                   (Pedro Du Bois)

           

 

É preciso compreender o fundamento e o significado da nossa identidade, e o contato com a arte favorece o processo de reordenamento espiritual – nossa consciência a respeito do que somos e do que queremos. Ela também nos enriquece culturalmente, revelando os sentimentos, os comportamentos e os valores: o que é visto, sentido e discutido.  Como demonstra Francisco Alvim  “Me espanta ver em teus quadros / Ivan / a carne do mundo / carne igual a outra carne / músculo de poltrona numa sala / de montanha ancorada na chuva / perceber / que o verde água da paisagem / deságua / no rio vermelho na casuarina / no rosa sanguíneo da parede antiga deste teu quarto / contra a qual há quadros encostados”.

Os poetas produzem belos poemas e os pintores mostram “belas cores”  que o mundo tem. A arte de pintar, que também é escrever, adquire poder imaginário que contamina o pensamento e o traduz em imagens, cores, ideias e em ideais da sociedade. Segundo P. M. Bardi,  “um pintor de talento é sempre um escritor”.

            Os artistas plásticos possuem a forma velada das cores que se incorporam em jogos de formas delas oriundas com  que criam o  de seus trabalhos. Como disse Paul Klee (1879/1940), “A cor me possui não preciso conquistá-la. Somos uma só”. Ele conciliava arte e música; possuía em no seu ateliê,  no lugar das telas, partituras; transformava a palavra e o gesto. Segundo ele, a função da imagem seria exprimir um sentido, como vemos em Murilo Mendes, “Qual a forma do poeta? / Qual o seu rito? / Qual sua arquitetura?”                                  

              Pintar é conhecimento que, quando revelado, no segredo das formas nos  impõe a condição de observador, para que o espírito e a inteligência se relacionem na sua leitura. Pintar também é escrever o que, por vezes, gera inquietação e chega à realidade que faz do artista, criador com sensibilidade para exprimir em palavras, traduzir as cores e as formas.

          A arte ilustra a nossa vida e nos faze entender mundos quase  inatingíveis. Mas é  na leitura cuidadosa e penetrante que tenta dizer da impressão com que produz a partir do que "lemos", ao vê-la.      

            Destaco Miriam Postal, artista plástica de Passo Fundo (RS), que usa a força criativa para transformar sua produção em imagens que resgatam a brasilidade, marcando o encontro entre a diversidade das linhas no reproduzir registros que tocam nosso coração e nos proporcionam reflexão. Vejo em sua obra o compromisso com a sensibilidade e a revelação da criatividade, na trajetória do  momento  marcante à margem da arte, em que sentimos o desejo de liberdade provocado pelos movimentos dos traços e do equilíbrio entre as cores e a beleza estética. Encontro cultural capaz de condensar as aspirações com que a arte ganha ressonância em nossa memória.

            É preciso encontrar tempo para contemplar e perceber que a arte está em nossa volta para a manutenção da vida; que traz a voz que renova a palavra, passando pelo processo de transformação, em sempre conservada unidade de natureza poética.

            Percorrer os caminhos da arte é vivenciar e apreciar o elo criativo entre obras de períodos diversos. As imagens e as cores espreitam o momento para romper os limites e extravasar a imaginação através do espaço e tempo.

             A presença dos artistas em nossa vida representa o subsidio para reconhecer por outras vias, que pintar também é escrever, como bem escreveu Benedito Cesar Silva, “Ela é uma flor. / Como pode? / Não tem a beleza, a suavidade, nem / mesmo a cor. / Como pode? / Não se chama Rosa, Margarida, ou Hortência. / Serão os espinhos? / A amargura, o ressentimento, o desdém, o tempo fixou. / Se nem mesmo a essência, / como pode? / Ela é uma flor. / A linguagem a transformou”.                               

 

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