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ARTE nas RUAS

por Tânia Du Bois

 

          As ruas funcionam como cenário e palco, para o artista expressar a sua arte. É o local desejado para chamar a atenção do público no sentido de mostrar a arte, da falta de oportunidade e da dificuldade de encontrar um local apropriado. Majela Colares revela, “A cada / passo / um / instante // passo / por / passo / uma estrada // em passo / a cada / instante / lá vai / a / vida”.

          O simples fato de ver alguém maquiado, mascarado e fantasiado, leva-me ao mundo da fantasia, onde tudo é possível de se imaginar, como em William Blake, “O mundo da imaginação é o mundo da eternidade.”

          Ao assistir a arte nas ruas penso num mundo de sombras, sons, surpresas, sustos e risos, porque o artista sem ter onde apresentar a sua criação incorpora ruas e sinaleiras, para expor sua arte em palco aleatório de luzes e cores, com ruídos surdos e áspera realidade, como demonstra Luciano Diniz em sua “Poesia de Rua”. Com esforço próprio, preocupação e desconforto ele personaliza a sua obra para atender suas necessidades e aspirações, buscando caminhos inusitados e simples, parcerias e encontros para representar e interpretar. Nas palavras de Maria de Lourdes Cardoso Mallmann, “Sob a roupa colorida / de pufes, tules, babados... vive um homem / Só um homem / com sonhos acabados / o coração ferido... e os planos despedaçados. // Embaixo daquelas roupas, / sob a pele do palhaço... bate um coração / Um velho coração / Já não bate no compasso / mas o palhaço trabalha que o dinheiro é escasso...”.

          O artista, ciente da realidade em que se encontra e das dificuldades cotidianas, se propõe ao cenário das ruas que, no passar do tempo, é seu único palco. Na repetição dos dias torna-se o seu local de trabalho, de onde retira o seu sustento, como mostram, Luciano Diniz, em “Poesia de Rua; Sérgio Capparelli, em Os meninos da Rua da Praia e Carlos A. Lima Coelho, com Cidadãos da Rua.

          Na maioria das vezes, percebo que as pessoas não dão importância ao trabalho e nem concedem o devido crédito que de fato o artista merece, como reconhecer a sua luta pela sobrevivência, na arte de viver. Maria de Lourdes Mallmann enfoca, “... É um grito de angústia e medo, de pura indignação / pela falta de justiça.../ pelo descaso que existe dos homens deste País. / Meu grito, só o vento ouve... se perde na imensidão. / Se acaba no marulhar das ondas que vêm e vão.../ Meu grito, só eu escuto”.

          Hoje vejo a arte nas ruas em novo significado da realidade, na medida em que o artista busca por espaço para realizar diferentes coisas na sua arte de viver, e que a conquista acontece dentro dele. Penso que, para o meu grito de apoio ser ouvido, o melhor seria fazer uma justa avaliação da realidade em que vivemos, e questiono se somos tão dedicados, justos, conscientes e competentes como imaginamos ser.