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CAIXA de SONHOS

por Tânia Du Bois

 

“...a história é o limite, / e somos a revolta // 

 vestidos de tempo./ e o tempo uma caixa se abrindo”  

 (Hermenegildo Bastos)

           

            É preciso uma dose de coragem para abrir a caixa dos sonhos e buscar respostas para questões como o medo, a esperança e a memória. Mas, fica a promessa de recompensa a quem ousar sonhar – é sonhando que se revela o homem confiante que se encontra dentro de cada um de nós. Como A caixinha do Vovô, de João Guimarães Rosa, um baú de tesouro, guardando por trinta anos as lembranças do avô Joãozinho e que foi aberto em 1998, para preservar a memória da família.

            Para a maioria das pessoas a vida fica mais iluminada com um sonho para dividir a satisfação e, ainda, demonstrar o sentimento de estar bem consigo mesmo, pois é mágico ingrediente em nossas vidas. como expressa Vanessa Vieira, “Na caixa um canto / No canto um verso / no verso eu”.

            Ao descobrir a misteriosa caixa dos sonhos de Guimarães, vivemos mais intensamente, porque percebemos a beleza em alguém, respeitando seu próprio ritmo. Também reconhecemos um mundo literário de descobertas determinado a mostrar as obras e suas mágicas palavras, como em Nelson Ascher no livro O Sonho da Razão. O tempo passa e um dia acordamos e o sonho foi desfeito, como em Lima Coelho, “Sonhos Desfeitos //  O sol se põe, começa a noite. / Com ele, os sonhos que se desfazem, / Transformando-se em cintilantes bordados / Que ornam a escuridão que se forma no céu...// Sonho sonhados juntos, agora desfeitos, / Que cedem lugar ao lamento, ao queixume, / Ao tormento e às aflições no meu peito...”

            Mas, se estivermos acompanhados dos livros, dos CDs, das flores e dos amigos, sentimos que estamos sonhando novamente, ou que alcançamos os nossos sonhos, porque eles são as mudanças que fazem com que a vida seja sempre uma caixa de surpresas, como no ensaio “Eu tenho um sonho e não eu tenho um pesadelo... Martin Luther King”, de Gilberto Cunha.

            Jorge Luis Borges, no Livro dos Sonhos, mostra uma variedade de sonhos que diz serem a “invenção espontânea do homem que dorme”  e, mais, que “os sonhos nos dão uma certa ideia das excelências da alma humana e uma noção de sua independência”. Assim, aqueles que não conseguem alcançar o sonho, ou simplesmente sonhar, deixam de perceber que sonhar é essencial, como cantava Cartola, “... Devias vir / Para ver meus olhos tristonhos / E, quem sabe sonhar os meus sonhos, por fim.” Quem cuida do sonho, por consequência, vive o amanhã de novidades e descobertas. A única coisa, que dura pouco é o tempo ao acordar do sonho, porque se adapta às situações da vida pessoal, segundo Borges, “... o homem acredita no que está sonhando, e quando acorda se vê sem nada...”

Abrir a caixa de sonhos é onde o homem se inspira e reencontra o sentido no viver, esbanjando atitudes com mais liberdade. Sonhos saem dos livros como se fossem nossas memórias. E se deixássemos de sonhar, o que seríamos? Antonio Machado responde, “De toda a memória somente vale / o dom esclarecido de evocar os sonhos.”