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PONTO FINAL

por Tânia Du Bois

 

“A ambição de todo ponto de vista é se tornar,

         sem cerimônia, um ponto final. E ponto!”   (M.M.Soriano)

 

          O ponto final corresponde no percurso ao dizer que a luz não passa; a ideia que chega ao fim; o relacionamento que termina; a carta que se encerra e a vida que se acaba. Nas palavras de Mayna Nabuco, “Na vida também é estranho quando o ponto final vem antes da hora.” E, Hilda Mendonça salienta, “... entre o esquecer e o lembrar / Sol e chuva calor e vento / solidão de deserto / minh’alma se aloja / à espera do temível ponto final “.

          Segundo Pablo Neruda, “Escrever é fácil. Você começa com a letra maiúscula e termina com o ponto final. / No meio coloca ideias”. A verdade é que no momento que colocamos o ponto final, sentimo-nos transgredidos e, ao mesmo tempo, com a certeza de que toda a história tem um fim, como demonstra Getúlio Zauza no poema Em direção ao Fim; e Caio Riter na antologia Antes do Ponto Final.

          Por vezes, provocamos o ponto final, ficando sujeitos à meditação da expressão sobrevoar a realidade, porque guardamos os momentos inesquecíveis no fundo da memória e do coração, como em Mara da Graça Carpes do Valle, “Buscas constantes. / Questionamentos./ Identificações. / Indagações. / Sonhos, projetos, realizações...// reflito e revejo num lampejo, tantos quadros. / Constato serem esses a minha história / que a própria vida escreveu. // mas quem disse que tem ponto final?...”

          Em muitas situações não colocamos ponto final, mesmo que ele receba a máxima carga de significação: reinventa o limite das realidades naturais e culturais, como demonstra o poema: “És poeta os ventos já sabem / Quem os calará? Camões? / Fernando Pessoa? / Jorge Luis Borges? / Francisco Carvalho? / Drummond? /Ferreira Gullar? / Procede minha afirmação / e ponto final”.

          João Carlos Pecci descreve a vida e a obra de Vinícius de Morais no livro Vinícius sem Ponto Final. Mas tudo na vida tem início e fim. A vida é feita de lembranças, saudades e fragmentos que juntamos para dar um ponto final.

          O primeiro traço notável do ponto final é o resultado da reação do passado para com o presente. É significativo tanto por sua qualidade, quanto por sua influência no sentido de representar as características do fim, como expressa Cora Coralina, “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.

          O jornalista Mikal Gilmore, no livro de crônicas, Ponto Final, traça o perfil da geração que transformou os anos 60 num mundo de sexo, drogas e rock’roll. E, J.H.Bragatti, em Ponto Final, descreve a dor, a miséria e a solidão no dia a dia dos homens que vivem com a certeza da morte.

          Na maneira como se forma a personalidade, como se descreve ou se representa a arte, como a vida em si, às vezes, é possível ajustar ou mudar o ponto fraco e forte de cada um, para chegar, conforme o desejo, ao ponto final.

          Muitas vezes o cotidiano não nos deixa alcançar o objetivo proposto por várias razões e, entre elas, os mitos e as concepções errôneas em torno do assunto; José Goldenberg fala dos mitos no livro Coluna - Ponto e Vírgula – Colocando um Ponto final Nas Dúvidas... Tudo o que vivemos é fruto de escolhas, da forma como vemos a vida. Todo processo de construção da nossa realidade tem o ponto final como foco. Joaquim Cardozo pergunta, “... o que está depois da luz, o que está no Apagado?”

           É pensando no término das ações e realizações pessoais que sentimos a sensação do prazer e bem estar por ter executado a tarefa e poder desfrutar o resultado. Esse sentimento desperta a atenção e deve ser respeitado e destacado como único. Com essa percepção o ponto final se torna objeto de desejo para todos que querem inovar; que acham possível realizar o que seriam seus sonhos. Melhor dizer que na vida tudo é “costurado” para se chegar ao ponto final.      Charles Chaplin escreveu, “O tempo é o melhor autor; sempre encontra um final perfeito.”