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A HORA da VIRADA

por Tânia Du Bois

 

            O tempo cultua a hora certa da virada do ano com um toque de elegância, uma pitada de cores e o carinho dos amigos, tudo traduzido em festa. Entramos no clima, encantamo-nos com a esperança e ganhamos a luz para encarar o próximo ano. segundo Maria Cecília Castro, “... Em cada passo, / Um pedaço de vida. / E em cada abraço, / Um pedaço de afeto”.

            Outro ano para enfrentarmos com reflexão, para quebrar paradigmas e inovar o comportamento. Cumprir promessas. Lembrar do amor e da compaixão, permitindo-nos desvendar o segredo da emoção ao acreditarmos que no próximo ano poderemos mudar de direção e alterar velhos padrões de comportamento, porque é importante inserir a felicidade no nosso cotidiano, como bem coloca Affonso Romano de Sant’Anna, “... Vem, Ano Novo, vem veloz, / vem em jatos de luz moderna, vem, / paira, desce, habita em nós, / vem com. fitas multicoloridas, rebeca, / vem com uva e mel e desperta / em nosso corpo a alegria, / escancara a alma, a poesia, / e, por um instante, estanca o verso real...”

            Repensar a vida, compartilhar a hora da virada é o começo para renovar o projeto de vida, portanto, o ano novo merece a nossa atenção para tornar o encontro em momento especial de paz e união. A magia está em toda a parte, o segredo é enxergá-la e, sobretudo, colocar a questão: somos felizes? Getúlio V. Zauza diz, “Vejo o ser humano navegando na ilusão / num sonho que acreditava ser real...// E no sonho fantasia ter muita importância. Acredita ser o que não é e “vive” a cena...”.

            Na obscuridade do tempo sentimos a única liberdade em que temos a força do pensamento, que é a consciência que nos dá a capacidade para valorizar a vida. Dizemos que a imaginação acende a escuridão e essa mesma luz nos guia em todas as direções, como expressões que nos tocam. O importante é cantar e ouvir o som da festa com alegria de quem está descobrindo que a vida é boa, mas pode melhorar. 

            Damos ritmos aos ventos e compartilhamos os significados dos símbolos que se perpetuam na hora da virada. Guardamos o nosso rumo na transparência do tempo. Guardamos a eternidade no momento em que olhamos o horizonte; vivemos a palavra e a lembrança na flexibilidade da emoção. Guardamos na memória a hora da virada, porque ela é a nossa companheira no tempo. Pelas glórias e esperanças, vivemos a alegria do ano de horas puras pelas loucas (des)venturas. Novamente,  Affonso Romano Sant’Anna, “Vai ano velho, vai de vez, / vai com tuas dívidas / e dúvidas, vai, dobra a ex- / quina da sorte...”

            A hora da virada nos desperta através do clarim que nos convoca para sonhar. Desperta a paz e as vitórias e nos acorda da coragem que dorme. Desperta o coração para amarmos o presente e o futuro ao reconhecer as nossas virtudes e a história que contamos dos tempos de louvores. Desperta os símbolos trazidos pelas tradições onde guardamos a razão. Nos desperta nas canções para encontrarmos o caminho da liberdade. Desperta a verdade que reflete o sentido em torno de nós. Desperta o bem querer, tornando as cenas da vida referência aos que sabem o quanto a abraçamos com amor. Desperta o tempo de colheita, onde vemos o lado em que palpita a vida, infinitamente... Como em Domingos Pellegrini, “...Mais obrigado por dar ao presente / este gosto curtido de passado / já com cheiro do instante seguinte”; e Manuel Bandeira, “...Nem tua pureza. Nem tua impureza. / O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me! / O que eu adoro em ti, é a vida”.

            No entanto, na hora da virada, os desejos são calados e apenas dizemos: FELIZ ANO NOVO!