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o FATO na FOTO

por Tânia Du Bois

 

“A sua imagem / à minha frente, / chamando por mim... /

É o mesmo sorriso / que me envolvia...”  (Thereza F. Vieira)

 

               A foto chama a atenção pela força da imagem; mostra o reflexo da lente, onde tudo parece possível, porque revela a lembrança, a ilusão e a saudade. Como em Maria de L. C. Mallmann, “No álbum de fotografias / vejo a vida passar / como um filme colorido / a se revelar... // os registros que ali estão / são de festas, / da alegria que passou... / só que os dias que eu sofri, / que chorei... / ninguém fotografou! //Não se guarda a tristeza / numa foto, num cartão. / Ela fica registrada / no fundo do coração!”

               O fato é que olhar para a fotografia é como deslizar na sombra do momento vivido e sentir a sua companhia. A foto resiste ao tempo e à luz da lembrança,  sobre quem foi importante e quem aparece com a luz na sombra. Álvaro de S. Gomes Filho, revela em seu poema Fatos/Fotos, “... Mas procurei o retrato / Que te mostrava sorrindo / Enquanto eu te abraçava / Por sobre um manto de amor, // ...No quarto, então, não estavas / A cama não reconheço / Tudo mudou, te encontrei / me olhando no toucador...”.

               Relembrar o fato na foto é gostar de viver? Vivo com a imagem ao rever o amigo no instante do flash; basta que tenha existido feito luz na memória. Em Carmen Presotto encontro que “paredes / olhos / suores // saem da lente como quem sai da foto // ... são figuras / imagens / fotografias / sombras // olhares que desabitam em vida...”

               O fato é que a luz começa a sumir quando a sombra ocupa o seu espaço e se espalha pela casa em molduras, onde a voz é baixa e a presença está presa na recordação. Muitas vezes, a foto remete ao momento singelo de outrora. Outras vezes, encontro na história a realização do desejo, assim, em Pedro Du Bois, “Somos distribuídos pelos momentos: avessos, retroversos, incólumes, desbotados onde nos reencontramos em pedaços estabelecidos como verdades. Na realidade, como retratos somos a parte sensibilizada da existência”.

               O fato no foto evoca uma atmosfera onírica, sensação potencializada pelo conforto para com a imagem, que ali está para ilustrar a minha vida; história onde laço os sentidos e reconheço o motivo. Então, toco na foto como se estivesse sonhando acordada. Faz sentido, por que sinto falta do meu amigo e do lugar da cena marcante na imagem que não passa da realização de meu desejo. Ela me permite, magicamente, descobrir o significado da liberdade interior no silêncio e na dor da solidão. Como poetiza Gilberto Mendonça Teles, “Retrato // cada coluna protege seu paradigma / de confrontos, seu modelo de sombras / no ladrilho. Cada coluna desenvolve / o sentido de sua própria exaltação...”.