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O PREVISTO e o IMPREVISTO

Por Tânia Du Bois

         

 

 

          Sinto o frescor do mar no imprevisto e a energia solar prevista na fórmula da vida. Faço as travessias para que o dia com menos imprevistos seja de reconquistas. Segundo Mario Quintana, “Previsto, despertar e ficar um momento de olhos fechados sabendo que existe a luz... Quanto ao imprevisto... deves tu mesmo procurá-los na memória”.

          O encanto pela vida gira em torno do previsto e do imprevisto; com eles determino o ritmo e diferencio os momentos. Mesmo nas horas previstas e corriqueiras do dia a dia o imprevisto se apresenta. Maria Helena Latini descreve, “O sonho / o baque / a brevidade // O relâmpago assustador / entre o isto e aquilo”; e Cecília Meireles desenha as palavras do (im)previsto no livro “Isto ou Aquilo”.

          Vejo com curiosidade que o escritor convive com o imprevisto ao tornar inevitável as suas palavras; prevejo a literatura em minha vida como algo que respiro, para quebrar o silêncio e fugir da solidão. Gracia Levine retrata, “Vida curta, / vida longa. / Qual deve ser o comprimento de uma vida? / O de um barbante? / Ou de uma fita métrica?”.

Enfrentar o imprevisto é exercício para quem deseja viver em processo contínuo e evolutivo, que o pensamento reflete a nossa forma de ser. Como o céu e o mar são linhas inseparáveis da paisagem, a mente desenha pensamentos e o corpo conquista o mundo. O aberto e o fechado são medidas imprevistas, que abrem ou fecham o caminho. O bem e o mal são imprevistos em que o mundo se desdobra em recomeços. Superar o imprevisto é acreditar na projeção para dar atenção à emoção ao manter a mente aberta para escutar a intuição e perceber aquilo que une, em vez de salientar o que separa. Como em Rubéns R. Torres Filho, “Corre o verso pelo inverso / e o delírio pelo lírio / na lírica do extravio...”

 Viver na previsibilidade é controlar o entusiasmo pelo desejo de se comprometer com a integridade da escolha e estar ciente que os atos têm consequências e que há retornos ao serem executados. A vida não exige que se renuncie aos seus encantos, ao contrário, permite buscar força vital e criativa para se confrontar com o verdadeiro e identificar o falso, para sustentar o que é insustentável: o imprevisto.

Em cada passo da jornada mostro a importância em desafiar a mim mesma sem desperdiçar a chance do previsto. O que faço? Respiro fundo e sinto o sol. Saio de cena para me reencontrar no tempo. Rodrigo Petrônio demonstra, “... Muitos e muitos eus se despregam de minhas dobras. / Quanto mais queira me achar mais e mais me perco no esmo. / Só na entrega irrestrita a liberdade gera obras. / A flor congela no espelho e o ser é igual a si mesmo”. Ao expressar a liberdade estou me permitindo abrir espaço no coração, para que o imprevisto faça parte da vida. Mas, na obtenção de resultados ajo de modo diferente, quanto mais criativa, mais redefino o objetivo para alcançar o previsto e enfrentar o imprevisto. Como mostra Adriano Nunes, “... Quem se importa / Explorar-se / Contorcer-se / Constrói-se / À porta / Do sonho / Declama o / Instante / Distante / Distrai-se / Que susto...”.

Os encantos na vida são truques para me manter presa na visibilidade trazida por ela, onde posso criar e recriar diante do previsto e do imprevisto, em sintonia com os  me