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o OBJETO

por Tânia Du Bois

 

 

“O objeto // Mudará o objeto? //... Que outros objetos / Guardarão lembranças.../

Do tempo afeito / A novas mudanças?”                         (Antônio Olinto)

 

               De cada cidade que visito sempre trago uma lembrança, um objeto para me reportar ao lugar por onde passei. Ao olhar para ele percebo o lugar e registro o nome e a história. São momentos para ter inspirações e sentir novas sensações, sem limites. Costumo dizer que a escolha do objeto vem ao encontro da minha essência, como se fosse um retorno às origens. Dentro desse espírito, o valor simbólico do objeto é a ilusão da vida. Nas palavras de Pedro Du Bois, “... humanizamos as coisas e os objetos, até que eles se confundam conosco e nos integrem em seus novos mundos...”

            Para viver bem, redescubro o livro como valor do objeto, que traz a viagem para dentro de casa com mistério onde vou descobrindo os segredos de cada lugar. Nova experiência que faz intercâmbio com a literatura, permitindo-me mergulhar em um mundo de novas possibilidades e aventuras. Hoje, as cenas da minha vida se passam através das obras que encontrei: Os Objetos Difíceis de Alexandre Rodrigo da Costa, ”... Os objetos continuam / a eleger/a dor/mais improvável...”; Os Objetos e as Coisas de Pedro Du Bois; Objetos Inquietantes de Nicolau Saião, “As coisas multiplicam-se / muito mais que as pessoas. Só elas / possuem o segredo.../ as coisas repousam / ou subitamente iluminadas / gritam e falam-nos com movimentos...” E, em Antônio Olinto, com o poema, Deus Mora no Objeto, “O objeto existe. / Existe e marca existência no espaço. //... O objeto, visto por todos, mostra sua pureza do ser. // ...O mundo flui e reflui, deles e para eles, objetos e homens. //...Nesse movimento de posse e de amor, o homem começa a colecionar objetos / Surge, então, entre o homem e cada objeto colecionado, um novo relacionamento...” Tais obras simbolizam característica única, verdadeiramente especial; minha escolha no momento da aquisição, com que marcam a ocasião.

            O objeto não se esgota na compra e fica cada vez mais próximo de mim; vira parceiro e companheiro, porque na minha solidão falo com ele e o conservo para vê-lo no amanhã. O que poucos imaginam é que o objeto traz consigo minha carga emocional vivida nos passeios. De certa forma renova o meu coração e, ainda, me possibilita viver com as lembranças. Tenho uma condição, como escrevi certa vez, Pedro convive com as pequenas coisas, sem precisar se transformar em objeto. Essa a condição, devo buscar nos objetos apenas a identificação como tradução da minha vida.