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JOGO DE POSSIBILIDADES

por Tânia Du Bois

 

 

“Apreciava ideias novas, como se fossem frutos após a chuva.”

                   

Todo mundo tem uma história do gênero para contar. Encontro o escritor Agostinho Both, que sente prazer em escrever. É o que me permite como leitora a identificar histórias que garantem a sobrevivência dos enredos no romance “Para onde Vão Nossas Casas” (primeiro romance de Agostinho, 1990), com registros preciosos da época, nos quais faz ilações interessantes e atrativas como jogo de possibilidades.

 

“Estou aqui com uma mão na frente e outra atrás, sem saber qual delas

eu tiro. Apenas uma ideia é que me dá um pouco de esperança.”

 

                    Agostinho reflete em palavras problemas da época, idiossincrasias, anotações e situações envolvidas em questões particulares: a simplicidade, a vontade de vencer os desejos e a luta pela terra são reproduzidas em detalhes na exposição de paisagens, com palavras gostosas de serem lidas.

 

“As horas tristes não deixam de ter suavidade. A fatalidade

faz a gente deixar as intenções pessoais de lado. A vela

 se apaga e a manhã inicia meu novo caminho.”

 

                    O que tudo indica é que Agostinho, na tentativa de encontrar respostas e retratar o tempo, descreve novos ângulos de leitura sobre ideias necessárias para mostrar aquela realidade da feição colonizada do Brasil; conquistas como resultado do trabalho e da boa vontade do povo, na fervorosa extravagância do autor. Brilhante no que conta a seu modo a saga familiar, a passagem do tempo e o caráter do homem que lá se estabelece: a razão diante das questões do coração.

                    O contexto da obra é de inquestionável valor e o autor não se limita pela verdade “empírica” dos fatos. A história urge trazendo lembranças à luz do dia (de hoje), expressando não só o amor, mas a verdade como busca e permanência na imigração, resposta datada no que por si só se impõe: “Para Onde Vão Nossas Casas”.

 

“Quando minha consciência se abre para entender o que  

acontece, bem mais animada e certa se torna minha ação...”

                    Both, com palavras cuidadosas/escolhidas, descreve conflitos de modo a dar tom inédito a situações desconhecidas, com os sentidos se sobrepondo aos interesses para prevalecer a união dos imigrantes.

“... mais vale uma aldeia onde se tem um ao outro em razoável profundidade, que uma grande cidade, onde é revelado muito pouco de cada um...”

 

                    No desenvolvimento do romance, o autor resgata precursores no conceito “vontade e desejo na força do trabalho”, mostra diferentes variantes em forma de crença e descrença, como parte da conquista e exploração do novo espaço, da nova moradia, da nova cidade e do novo País. Assim, transmite à novas gerações suas memórias sentimentais, como jogo de possibilidades.

 

“... ao perceber dentro de si, a paixão trocando de cor e estado,

como se fora a própria tempestade! Não poderia esquecer-se

 jamais das formas e do tamanho que tem o ser humano...”

 

                    “Para Onde Vão Nossas Casas” é leitura fluente, onde as emoções de cada personagem se apresentam em trechos de suas vidas, o que Agostinho Both concede, como jogo de possibilidades, ao recontar a história através da ilusão do amor, algo em que o autor acredita para as conquistas, no abrir caminhos em direção ao novo horizonte.

 

“Parece que a autonomia das pessoas sofre uma crise,

 pois entre elas algumas se encheram de vantagens

e o sentido da igualdade foi perdido.”