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AUTÓGRAFOS

por Tânia Du Bois

 

“... Preto / no branco / pretexto / as linhas meditam / Me ditam e assinam..” (Max Martins)

 

          Estava lembrando como os escritores e leitores, na sessão de autógrafos, se reconhecem; há lealdade, liberdade e apoio entre eles. É um processo específico, porque ambos procuram e acreditam na cultura, na criatividade e na emoção ao pegarem o livro nas mãos. Como demonstra Pedro Du Bois, no conto Autógrafo, “Livros usados. Sebo. Carinhosa forma como entendemos ficarem os livros após o primeiro manuseio. Sebos. Lustrosos da gordura e do suor desprendidos das nossas mãos e dedos. O hábito de molhar o dedo na língua para virarmos as folhas. Hábitos salutares de leitura...”.

          O autógrafo é maneira privilegiada de estabelecer conexão com o autor / obra / leitor. Com isso, o desejo voluntário de se adaptar a novas escritas, ideias e tempos. É através das novidades que se adotam novas atitudes onde há liberdade e possibilidades de existência, na representação do nosso conhecimento e sabedoria.

          Acredito que nos encaminhamos para sermos “pessoas universais”, pois, ingressamos nas áreas tradicionais e históricas como conceito, ao percebemos o poder do enriquecimento cultural.

          Pedro Correa do Lago é colecionador de autógrafos desde os 13 anos. Também é rato de sebo e leilões, também, autor do livro Documentos Autógrafos Brasileiros na Coleção Pedro Correa Lago. A obra apresenta pequena amostra da sua coleção, sendo tida como a maior do gênero no Brasil. Ele gosta de ter o autógrafo, como se nele estivesse um pedaço do autor; senti-lo ao passar a mão e pousar os olhos onde estão as palavras de alguém importante, ou de quem já morreu; valorizando o papel autografado, sente que invade outra vida e outro tempo.

          Colecionadores são chamados de caçadores de autógrafos, pois perseguem o critério de raridade na obra colecionada. Quanto mais rara, mais valiosa. Outra característica do colecionador é que, para ele, o documento autografado é um manuscrito. Não precisa necessariamente ter assinatura, também podem ser correções e hesitações dos autores, como: riscos, flechas alterando o parágrafo; palavras escritas para modificar o texto; o mais importante é a obra como documento. A importância do colecionador é que ele está sempre atento para que não caia no esquecimento e no lixo o papel “velho”.

          O autógrafo é forma de arte, que está na folha de rosto do livro, como principal nota do autor; é história fascinante e magicamente sedutora. Simbolicamente, leva o leitor a vivenciar o possível na vida do escritor e na sua obra; há troca temporária de identidade, onde o leitor pode construir um mundo imaginário, como grande desafio de sua vida. Segundo Max Martins, “O livro nos lê... torna a palavra visível...Só o leitor é real...O poeta dá à obra o seu nome. O leitor, a sua imagem.”