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A CARTA

por Tânia Du Bois

 

           

Querido,

          “Não quero luxo nem lixo, quero ser imortal”, quero ficar com você. Mascaro a velhice na ausência que busca o sonho: renascer ou desenvelhecer?

          Passo pela história sobreposta em caminhos e lembro o portal, o jardim na edificação antiga, onde o envelhecimento acontece em brumas de outras histórias e se apodera do momento em que colho o sentido da vida no não retorno: nostalgia ou tristeza?

          A aridez do tempo desfoca minha realidade de idosa ao me remeter para o presente na ausência anunciada, em mera fumaça lanço a vida em sonhos, refaço trajetos e busco motivos para que o amanhã se repita no ontem: pranto ou choro?

          A idade avança na medida em que divido o tempo, como jogo entre amigos, em que conto os resultados diários sem alarme. Minha dúvida é se ainda há alarme para o coração; ou apenas digo que hoje é domingo? Busco o seu olhar para realizar minhas fantasias e ouvir seus segredos ao apreciar a paisagem: nasci para desenvelhecer?

          Quero ficar com você. Em tudo que vejo e ouço é sempre você! Carlos Drummond de Andrade demonstra, na “Carta a uma Senhora,... Por isso lhe escrevo esta carta, que é especial: não vai por terra ou mar, nem vai de avião, vai pelo rádio. Se fosse pelo correio, a senhora reconheceria logo a letra do envelope, e não seria surpresa... A senhora, seu marido e seus três moleques recebam, pois este abraço que lhes manda pelo rádio um velho amigo saudoso; abraço tão real e apertado como se estivéssemos todos reunidos de verdade nesta sala”.

          Abraços da sua amiga de sempre para sempre.