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INFELICIDADE

por Tânia Du Bois

 

 

“a casa está ruindo // Mesmo sendo de pedras /

      a in / Fe / li / ci / dade / contaminou os alicerces”.

 (Eunice Arruda)

                   

          O sentimento é frágil e sempre está à beira do abismo que, por vezes, não consigo ver, porque estou fechada de tanto respirar o cotidiano. Como canta Lupicínio Rodrigues, “fazendo da tristeza o bem maior”.

          Hoje não me satisfaço com os estilhaços, penso diferente e cada dia que sento à beira mar, vejo a vida como um tempo imaginário, quase o último em tudo... Sinto que não encontro os contrastes na areia da praia e sim no vento forte que me surpreende com o destino. Dante Milano, expressa “que fazer a estas horas na rua? / Que solidão é a tua? / Que faz procurar / O cenário maior, / O de uma solidão maior que a tua?”

          O amargo sentimento exerce fascínio sobre mim, quando percorro a aventura das palavras e das vozes interiores, beirando a infelicidade; para Nilma Gonçalves Lacerda, “Esta hora que fica sem nome, / tanta dor ela carrega. / Somente se sabe que é / um tempo de rasgar”.

          Atrevo-me a dizer que sei o significado da infelicidade, mas sinto que ela representa (constante companheira) a derradeira instância de uma compreensão insuficiente na trama imaginativa do sofrer para viver. A saudade, por exemplo, me afeta sobremaneira e não sei explicar o quanto dói. Mas dói! Nas palavras de Sonia Regina, “... Estou cravada no mundo; / numa quietude geradora parto / das ruínas / sem milagres nas mãos...”.

          Quais palavras descrevem a infelicidade? Falta de amor, solidão, inverdade? Não importa o idioma em que eu fale, sempre é mágica a triste sensação do sentimento. Deixo essa magia gritar no meu coração, porque não alcanço o amor quando o vento traz as lembranças dos tempos preciosos e minha alma se despe do desamor e da esperança. No desencontro, na desilusão do sonho, não tenho mais coragem de ouvir o vento e procurar por um abraço, porque caminho de pés descalços pela areia; Claudião demonstra, “silêncio nosso amor / Está morrendo / O coração sofrendo / A dura desilusão / De te ver nas mãos / De outro / Dói em mim / Meu coração / Pois siga o teu caminho / O caminho da ilusão”.