meiotom  poesia & prosa

e-mail: meiotom@uol.com.br

 

   meiotom.blog                                                   TÂNIA DU BOIS

 

ESPECIAL

 André Carneiro

 Eunice Arruda

 Leminski

 J. Cardias

 Jorge Cooper

 Poesia Cubana

 Poema Libai

POESIA

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 POESIA VISUAL

 Almandrade

 Carlos Pessoa Rosa

 Clemente Padín

 F. Aguiar

 G. Debreix

 Hugo Pontes

 José L. Campal

 J.M.Calleja

 Rafael Marin

 Poe-Zine

 Marcos Rosa

 Avelino Araujo

 Thierry Tillier

 FOTOGRAFIA

 Andrea Angelucci

 F. Pillegi

 Euclides Sandoval

 TITE

 GONDIM

ARTES PLÁSTICAS

 Lúcia Rosa

 Felipe Stefani

 Maria Domênica

 Lampros

 DIVERSOS

 Concursos

 Resultados concursos

 Resenhas

 Estatística

n

.

I&psig=AFQjCNG9UFNgeCVo10M6SHj7Q8WtdLiGZw&ust=1467037967680930com.br

 

---

A COR  do INVISÍVEL  ( II )

por Tânia Du Bois

 

          O pensamento é visível? Pensamos em quê? Pensamos no nada? A vida assegura a ideia de que o pensamento é invisível. Nada é totalmente vazio. O pensamento avança, retrocede, hesita, desaparece e reaparece na imaginação, arrumando e desarrumando o imprevisto dos gestos e das palavras; para Thomaz Albornoz Neves, “Vês / o que / sentes // És o lago do olhar / na ausência dos olhos”.

O pensamento é invisível aos olhos da morte, pois, não a carrega, não é seu instrumento, nem mata.

          O pensamento é invisível aos olhos dos sentidos: mãos que se tocam, fluem sem retorno ao perderem o sentido do outro. Thomaz Albornoz Neves demonstra, “És / ouro / onde não há luz // Dormes no cristal escuro / Um fio de relva divide a transparência”.

          O pensamento é invisível aos olhos da confiança que, por descarga de desconfiança, inadmitimos a licença na fidelidade.

O pensamento é invisível aos olhos da vida, que nos espantamos por olhar a luz e vivermos no escuro como, ainda nas palavras de Albornoz Neves, “... O que se vê é o eco do que não é visto”.

          O pensamento é invisível aos olhos do tempo; ao presente cabe a conta das injustiças, quando o tempo cai sobre todos em notícias, queixas, desamores e despalavra e, segue Albornoz Neves, “Ao gesto / tens o corpo / de luz / onde chove // Do escuro te contemplas”.

          O pensamento é invisível aos olhos da lembrança: a vida desfila em palavras, onde o mundo das artes pode ser visto nas cores do sangue, do sol e do mar.

          O pensamento é invisível aos olhos do coração na devolução da alma, na pausa do silêncio, num rebrilho da luz. Como escreve Neves, “tua luz / dissipa / as formas // No lago de calor / sou acorrentado”.

          O pensamento é invisível aos olhos da paisagem; leva e traz os sentidos e também regressa com o olhar da despedida.

          O pensamento é invisível aos olhos do silêncio quando esquecido ou lembrado, fica preso no instante em que é desenhado pela mente, como Albornoz Neves retrata, “Somes / no silêncio // És o que te sonha”.

O pensamento é invisível aos olhos da confissão quando chegamos ao limite expirando e desfolhando o ato que grita descaminhando o nada para o querer ensurdecedor.

          O pensamento é invisível aos olhos da mentira que nos encaminha para o nada e nos leva a lugar algum, beirando a margem da sombra; como, ainda, em Albornoz Neves, É dia // no centro / da luz / raias //A luz é tua sombra”.

          O pensamento é invisível aos olhos da memória, pois, o silêncio vela a memória; gestos recriam a memória; a música inventa as suas cores e as palavras dão entonação à memorizada voz.

          O pensamento é visível no estalar dos vidros; na inocência e malvadeza; na descoloração das árvores e nas luzes que revelam outras vidas em imagens, fotos e perfumes; então, vemos pessoas desembrulharem os nós e converterem o pensamento em gestos e ideias para a vida. Como refletido por Tanussi Cardoso,... uma coisa é esperar; outra coisa é acontecer / uma coisa é rezar; outra coisa é crer / uma coisa é chorar; outra coisa é doer / voraz é a verdade dos vinhos esmaecidos / feroz é a idade – futura – não – acontecida / ...viver é crer que se quer viver! / É voar nas asas dos pássaros, sem sangrá-los!...”