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SOLIDÃO

por Tânia Du Bois

 

   “Com certeza: / para a pobre palavra solidão /

           a solidão da palavra: homem...”.                  

                  (Mário Chamie)

 

         

          Às vezes, sinto um aperto no coração, chega ao peito a solidão que me faz pensar que sou invisível. Ninguém me escuta. Pergunto-me, de que vale ter ele por perto, se cada um vive em seu mundo? O que realmente importa? Já quebrei os discos e matei o passado. De tudo, sinto falta de ouvir os poemas, as queixas e de tê-lo por companhia. Segundo Dante Milano, “... Lembranças, não antigas, mas presentes. / Lembranças, não saudades, as ausentes...” E Álvaro Moreyra descreve, “As amargas Não... Lembranças”.

         Quando estou só, surpreendo-me pensando em você. Meu sentimento desperta a alma e enfeitiça minha vida com a inesquecível melodia em que Mario Quintana conta em versos a nossa história, “Na solidão na penumbra do amanhecer. / via você na noite, nas estrelas, nos planetas, / nos mares, no brilho do sol e no anoitecer. / Via você no ontem, no hoje, no amanhã... / mas não via você no momento. / Que saudade...”.

         Desfaço o nó da solidão, quando me amparo na lembrança, sem preconceito. O tempo deixa de existir. Sou minha própria companhia, onde a solidão é um repente que o coração sente no pulsar a vida. IG de OL pergunta, “É sonho? / Não, o silêncio é que fala comigo...”. E Gabriel Garcia Márquez diz no livro Cem Anos de Solidão, “tudo é questão de despertar a sua alma”.

          Tresloucada, troco o carinho por uma companhia: como a noite escura sem lua; o sonho destroçado pelo vento; o orvalho transformado em pranto; a ilusão perdida ao refletir a minha solidão. Nas palavras de Getúlio Zauza, “... Sentindo-se sozinho, / Segue pelo da autodestruição / E pouco a pouco se destrói / Ou volta seu espírito-olhar / Ao caminho antes percorrido, / Remove as cinzas do passado / Age como Herói / E sente-se um bem aventurado”; e, nas de Cecília Cassal, “... memórias que o tempo tece / nem sempre têm tons leves // às vezes molham os olhos. // Noutras, // Vincam a pele”.

        Sou ressonância da canção da ausência, única e especial, em que traduzo o sentimento, marco passos e encontro o pó acumulado em minha vida. Reúno a solidão e o sonho no vazio da quietude mágica. Américo Conte descreve, “Não consigo lhe esquecer. / O que faço sem você? / Os meus dias são de melancolia / e minhas noites de martírio / quando solitário vou me deitar...”

       O que faço sozinha com as lembranças? Teço o nada e transformo os dias em noites. Percebo inúmeras diferenças entre o mundo das emoções e a realidade; no meu tear está a desilusão. Então, reprimo os ideais e as ideias; carrego as imagens do sofrimento. Não driblo a solidão e nem disfarço a saudade dentro de mim, como retrata IG de OL, “... Desnudo a solidão das coisas / e volto a viver na companhia da / minha própria incúria”.