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foto: carlos pessoa rosa

 

ALIENAÇÃO

por Tânia Du Bois

 

            Num mundo de convicções, o fascínio é avaliar o todo fosse movimento para construir, como forma de expressão e estilo de vida; para Mario Quintana, “Estilo é uma dificuldade de expressão”.

            Em repetidos cenários, o ímpeto do julgamento é encontrado em todos os momentos, principalmente, quando alguém é rotulada de alienada, o que significa “ali- é- nada”.  Como conter tais atos, que não é simples advertência e nem contém fios explicativos; mas, que confundem e discriminam? Carmen Presotto expressa, “... são tantas as palavras amassadas em amargura / que até na Lua / se ouve o pranto deste mundo”.

           É importante frear o impulso, manter postura humilde e aberta, tanto para se esquivar do julgamento, quanto para contra-atacar. Momento em que a postura de confronto prejudica a relação vida/conhecimento, pois, não reflete a aventura de viver e, quem sabe, acrescenta a suspensão do mundo. Gilberto Cunha escreve que, “Entenda-se que escutar não é meramente ouvir. Audição é função biológica, mas a nossa referência é INTERPRETAR, que exige pluralidade dos sentidos, num mundo em que, metaforicamente, vivemos a crise da surdez, decretando-se a falência da hermenêutica”.

            O conflito começa quando a alienação é nos tornar comuns e fazer nos sentir incompletos, sem opinião e opção na vida diária. Lamentável é sermos enganados em muitas situações; manipulados para atrapalhar nossas relações pessoais e profissionais. Encontro, como referência, o livro A Arte da Vida, de Zygmunt Bauman, que trata das condições e limites que influenciam nossos projetos de vida.

          A alienação é o termômetro da vida atual, onde queremos muito do outro e oferecemos pouco de nós; tornamos a versão realista do cotidiano em processo doloroso que não se abre em novas possibilidades e, possivelmente, desdobra-nos em pessoas sucessivamente iludidas. Nas palavras de Pedro Du Bois, “Receba a visão/ do todo / e não se assuste...”.

           Questiono a falta de vontade para sair do estado de alienação. São conceitos diferenciados pela aquisição do conhecimento ou há descontentamento embaraçoso quando superado? Por que não há interesse em superar os obstáculos para sair das ciladas da alienação? Carlos Pessoa Rosa declara que, “dizer / que o poema poetiza o vazio / é concluir / que o vazio existe...”.

            Precisamos olhar os conflitos que a alienação provoca, como maiores desafios para encarar o trabalho, na medida em que exige superações e conquistas. Estarmos instruídos para não haver diferenças na hora de nos expressar e, assim, evitar a queixa continuada da falta de conhecimento, para fugir ao rótulo de “ali-é-nada”. Clauder Arcanjo revela, “dobro a esquina do previsível e, surpreso e feliz, me dou de cara com a escolha do absoluto”.