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ESSE HOMEM

por Tânia Du Bois

 

 

           

            Tenho pensado se vale a pena dedicar meu tempo a prestar atenção no cotidiano, onde vejo o tipo de homem que finge ser quem não é; desprotegido na chance de conviver, pois, um dia ele, de qualquer forma, irá errar. Presumo que a motivação por ele repetida como feito, com certeza, tem a marca do machismo e da politicagem.  Amós Oz questiona, “... O que vocês podem fazer? O que podem os formadores de opinião...? O que o resto do mundo pode fazer, além de sacudir a cabeça e dizer: que coisa horrível?”.

            Há pressão quando esse homem se mostra aberto a experiências-não vividas, apenas conhecidas em teorias e discursadas no blá blá blá...

            Penso se vale a pena deixar de lado a pilha de livros que quero ler, para contestar esses discursos vazios. Tenho preferido ficar calada em meu canto, porque sinto desprezo pelas promessas não cumpridas e o descontrole político-social.

            Para esse homem, parece que o lixo se acumula como ferramenta essencial nas palavras, o que considero a ponta do iceberg de uma cadeia de mentiras e injustiças. Em Amós Oz, “... temo que isso não se torna mais fácil se dissermos simplesmente: esses são os anjos, esses são os demônios... Não é a luta do bem contra o mal, é antes uma tragédia no mais antigo e mais preciso sentido da palavra: um choque entre o certo e o certo...”.

            Acredito que a enganação através das atitudes e as decisões por interesses particulares são ações para nos excluir mais e mais da única regra no tempo de resposta. Passo os dias em função da angústia, que me faz com que encadeie desconfianças, insegurança e desesperança. Os problemas devem ser resolvidos para que eu não perca o momento certo, a dignidade, a liberdade e a disposição para enfrentar o caminho amargo e ácido que, quando acontece, leva a me trancar no meu mundinho, para repensar a vida: não nascemos para responder, automaticamente, “sim, senhor”, nem para sermos dependentes e nos sentir obrigados a fazer o que não queremos ou não gostamos. Rodrigo Petrônio diz que, “Os homens carregam suas sombras / Afundam na madrugada com todas as suas estrelas...”.

            Temos talento para tudo o que diz respeito a nossa liberdade, a ética e a moral, para sermos respeitados e defendidos com justiça. Nascemos para utilizarmos os nossos dons e os direitos adquiridos. Fazemo-nos donos da vida, para criar com o objetivo de transformar o dia a dia. Assim, entendo que vale a pena pensar no amanhã, mesmo que esse homem se faça presente. Na realidade, externamos quem somos. O segredo está em direcionar os sentidos e sentimentos, junto com a razão ao separar o joio do trigo, como ato intencional.