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foto: http://nepfhe-educacaoeviolencia.blogspot.com/2012/01/ante-o-descaso-do-governo-para-com-os.html

DESCASO II

por Tânia Du Bois

 

 

          Sou curiosa sobre o nosso comportamento; não entendo quando as pessoas perdem amizades de muitos anos por causa da politicagem. Luiz Oliani alerta, “... no limite / da própria / ignorância / depara-se / com o desespero”.     Chegam a estabelecer vínculos através e pelo poder, criando relações de agressão e violência: não reconhecem a diferença entre conversar sobre política e fazer politicagem.

          Entendo, fazem parte da sociedade que infelizmente tenta destruir a forma de pensar e agir pela verdade para, simplesmente, levarem vantagem. É descaso!

          É com descaso que tratam os sentimentos e os momentos que juntos poderiam passar. Perdem seus tempos porque não existe respeito pela opinião do outro e, muito menos, respeito e entendimento pelas escolhas políticas e, pior, pelas nossas opiniões. Oliani retrata, há ruídos / entre os homens / uns querem o mar / outros o oceano // uns querem o céu / outros o inferno // ninguém se sacia / frente ao que se vê”.

          Há vários partidos e ideologias e, por consequência, diversas são as escolhas. O mundo é movido pela pluralidade. No entanto, alguns dizem o que querem e, ao serem contrariados, partem para a grosseria e a ignorância, dizendo-se surpresos com os fatos. Falsidade por todos os lados. Luiz Oliani questiona, “”... O que sobrevive / frente as nódoas / de um tempo sem volta?”.

O ditado popular diz que “quem fala o que quer, ouve o que não quer” e, assim, permanece com o descaso em suas vidas, juntando desentendimentos pelas diferentes opiniões .

As atitudes e os argumentos estão mais raivosos, debochados e desproporcionais ao bom sentido do viver. Para Oliani, “... os homens cruéis / regojizam-se / riem / tripudiam / alegram-se / com a dor alheia // não se dão conta / do inferno / em que vivem/”.

Confesso ser do tipo que defende a verdade, a igualdade e a justiça. Percebo as atitudes ignoradas e as pressões em seus julgamentos, o que torna difícil a convivência; sem contar as falsas notícias espalhadas aos quatro cantos, a falta de sinceridade e a desmoralização para com o próximo. Luiz Otávio indaga, “o nada / são dúvidas // e a vida é dádiva / sempre incompleta // nunca nos preenchemos // Como sobreviver?”.

Como evitar o descaso entre as palavras e as ações? Os honestos se tornam raridade e os espertos espelho da sociedade?

No decorrer dos dias as opiniões políticas sofrem consequências drásticas ao serem instigadas para a confrontação; tentam entre as portas entreabertas, impor seus pontos de vista, sem considerar os argumentos, a razão e a emoção pela vida. Oliani expressa, “... às vezes / a palavra / não descreve / a rudeza das coisas...”.

Para fugirmos ao descaso, precisamos conversar sobre as ideias, conter o ódio e oferecer nossa cumplicidade para garantir que as opiniões possam ser criticadas, revisadas e avaliadas. Oliani diz que “... o cenário vazio / a vida vazia / o espaço vazio // nada alimenta / o que o coração corrói”.    

As pessoas são ambiciosas, logo, tentam romper o limite do real para atender ao seus interesses. Idealizam um mundo e vivem em outro. Existe descompasso na maneira com que levam a vida e, por vezes, exigem demais de suas participações no deslocamento de ideias e ideais que geram embates entre o real e o descaso. Como em Oliani, “... nesse juízo / de altos preços /sobre apenas o legado / com que se sonha...”