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foto: carlos pessoa rosa

 

NÃO SEI...

por Tânia Du Bois

 

 

            Primeiro o essencial, determinar o que é importante para nós. Temos obrigações e responsabilidades, o que nos faz pensar antes de agir e responder. Por vezes, dizemos “não sei” por medo de errar. É limitante dizer “não sei” para o novo. Não é perfeito, nem equilibrado quanto às expectativas. Basta continuar tentando acertar.

Errar é humano e pode ser corrigido; também, temos disponibilidade para aprender errando, o que provoca menos danos no viver. Estamos convencidos de que o novo provoca a sensação de prazer e felicidade, através do conhecimento. Que, para Lúcio Lins, “A verdade / Do Ser / É estar / Sendo”.

Ao longo da vida fazemos escolhas certas e erradas, que marcam nosso dia a dia e carregamos sempre a vontade de acertar. No entanto, temos de desvendar como usar a expressão “não sei” para o nosso bem estar.

Fujo da complexidade do “não sei”, através de leituras;  aceito a margem de erro como aprendizagem e para evitar decisões instantâneas ao estabelecer meus limites.

Esta atitude é suficiente para não me deixar envolver com a ansiedade do “não sei” e encontrar respostas para alcançar minhas metas. Como em Lúcio Lins, “... dos meus / nada sei / salvo o talvez / tenham ido / nos barcos de antes...”.

Na Feira do Livro de Passo Fundo, em 2017, crianças com câncer apresentaram seus textos e poesias; surpreendidas pela descoberta de que a morte pode ser real, por vontade própria, procuraram outro caminho de expressar seus sentimentos. Determinadas a viver um dia de cada vez, pensaram em se revelar por inteiro em suas aquisições individuais, não usando o caminho mais curto: “não sei”. Lúcio Lins expressa, “... triste daquele / que se contenta / só com a paisagem / emoldurada na janela...”.

Aquelas crianças, por motivo de força maior, convivem diariamente com questões repletas de angústia e sofrimento: não sabem se o tratamento dará resultado; não sabem até quando suportarão tamanha dor. Procuram saltar as dúvidas se fortalecendo com a arte de escrever, usando a imaginação como recarga emocional, com que fortalecem suas autoestimas. Convivem com o “não sei”, diariamente, mas o transformam em alavanca para alcançar novos  patamares, resultados e a esperança de continuar a ver o Sol raiar. Lúcio retrata, “... navegar / é livre pensar/ pelas águas...”.

Quando encontramos equilíbrio no processo de aceitação da realidade, a tendência é compartilhar a vida estabelecendo parcerias promissoras, mesmo sem termos certeza do amanhã. Nas palavras de Lins, “... meu peito é porto / (sou partida) / coração que não se basta / ancorado à vida...”.