meiotom  poesia & prosa

e-mail: meiotom@uol.com.br

 

   meiotom.blog                                                   TÂNIA DU BOIS

 

ESPECIAL

 André Carneiro

 Eunice Arruda

 Leminski

 J. Cardias

 Jorge Cooper

 Poesia Cubana

 Poema Libai

POESIA

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 POESIA VISUAL

 Almandrade

 Carlos Pessoa Rosa

 Clemente Padín

 F. Aguiar

 G. Debreix

 Hugo Pontes

 José L. Campal

 J.M.Calleja

 Rafael Marin

 Poe-Zine

 Marcos Rosa

 Avelino Araujo

 Thierry Tillier

 FOTOGRAFIA

 Andrea Angelucci

 F. Pillegi

 Euclides Sandoval

 TITE

 GONDIM

ARTES PLÁSTICAS

 Lúcia Rosa

 Felipe Stefani

 Maria Domênica

 Lampros

 DIVERSOS

 Concursos

 Resultados concursos

 Resenhas

 Estatística

n

foto: carlos pessoa rosa

 

OPINIÃO: PÚBLICA ou PUBLICADA

por Tânia Du Bois

 

 

         Não concordo quando se referem à opinião publicada como se fosse a real versão da opinião pública. Thomaz Albornoz Neves opina, “O que percebo da realidade / veda minha percepção / da realidade.

                Perco muito tempo tentando acreditar na opinião da mídia, que se encontra conflitante com a visão do público. Nesta linha encontro o livro A Corrupção da Opinião Pública, de Juarez Guimarães e Ana Paula Amorim.

          Gosto de pensar que a opinião pública, em determinados momentos, marca posição para ser ouvida e não permite a imposição da mídia, havendo até discordâncias; mas, dentro das possibilidades, ouvimo-la para trazer à tona a verdade. Segundo Umberto Eco, “... a única força que move o intelecto... é a verdade”.

                Acredito que o respeito pela opinião pública deve ser exercido pela vida, porque mexe com o viver, cujo sentimento está vinculado a todos. Hannah Arendt reflete, “... é com palavras e atos que nos inserimos no mundo... A ação é a fonte do significado da vida humana”.

            Pergunto-me em quantas bobagens publicadas acredito sem analisar serem falsas ou verdadeiras. Fico à mercê da mídia, entre tantas possibilidades, na dúvida de cada fato ou versão exposta como especulação.

                Encontro de um lado o poder das palavras na opinião publicada e, de outro, a expressão da vida revelada pela opinião pública, como demonstra Hilda Hilst, “... Nem sempre há de falar-nos um poeta. / E ainda que minha voz não seja ouvida / Um dentre vós, resguardará (por certo) / A criança que foi...”

                A “verdadeira” opinião pública estremece com a persistência da opinião publicada em desafiar diferenças entre o verso e o reverso do fato. Nas palavras de Hilda Hilst, “... Meu dizer é de bronze / E essa teia de prata / A mim mesma me espanta”.

                A opinião pública não está em busca de flores e sim de respostas honestas, visto o descrédito da opinião midiática. Márcio Almeida retrata, “Alívio //... um jornal sem a convivência com o poder...”

                Para manter a opinião do público, e a vida no campo do bem estar e do respeito, é importante ter presente a crítica em relação à opinião publicada, com a abrangência da pluralidade do olhar: nem tão de perto que não possa ver o todo, nem tão de longe que possa perder o rumo das palavras. Hilda Hilst completa, “que mistério tão grande te aproxima / Deste poeta irreal e sem mágica? / De onde vem este sopro que me anima / a olhar as coisa com o olhar que as cria...?”.