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foto: carlos pessoa rosa

 

A vez das PALAVRAS

por Tânia Du Bois

 

 

            Tudo na vida tem sua vez. A vez das obrigações é apenas a contagem de números: datas e horas; senhas e mais senhas. Prefiro ficar com as palavras. Elas retratam a vida em verso e prosa, como em Marilise Brockstedt Lech, “... Palavras variáveis / Com significado / Ou como significantes / Expressam quem somos // Palavras declaram / Humanizam / Machucam / Enriquecem / Rimam / Palavras falam...”

                A palavra materializada é a representação do pensamento, que uma vez trabalhada realiza o gesto e permanece, como em Joaquim Cardozo, “... Entre o gesto e a palavra: território escondido dentro de mim /... Entre o gesto e a palavra. Território / Onde as ideias ocultam e os pensamentos se perdem...”.

                A vez da palavra, agora, é a da Lúcia Pimentel Góes, no livro Vamos Brincar com as Palavras? Na obra ela revela ao pequeno leitor a relação entre o eu e as palavras; o folclore na poesia com a mágica da repetição os enriquece: “Vamos brincar com as palavras? // Que tal / com palavras brincar / fazendo adivinha? //... Ou treinando trovas-língua? // ... vamos curtir lenga-lenga ou contos de contrassenso / ou ainda / contos de nunca acabar. / Palavra puxa palavra, / um palavreado comprido, / rimado, / por isso divertido”. O lenga-lenga é uma espécie de poesia, cujos versos encadeados e repetitivos vão misturando coisas, gente, bichos, plantas e rimas, numa aparente confusão. Mas, pode-se descobrir qual a verdade que o poema mostra ou oculta através da leitura em voz alta.

                A vez da palavra é olhar a paisagem e expressar o vento, o verde, o sol e o mar. Sou consumida pela palavra bela e áspera. Sensível e rude. Sensual e mórbida. Chego a repetir que “não tenho palavras”; mas faz diferença dizer: eu te amo! A vida é movida pelas palavras; a dor expressada; o amor é diálogo; a criança é oralidade. Para José Paulo Paes, “Poesia / é brincar com as palavras / como se brinca / com bola, papagaio, pião. // Só que / bola, papagaio, pião / de tanto brincar se gastam. // As palavras não: / quanto mais se brinca / com elas / mais novas ficam”.

                O livro é a passarela das palavras, onde Pedro Du Bois as rabisca e sou consumida em suas obras: Poucas Palavras são pequenos poemas que fazem a releitura da vida; O Movimento das Palavras são poesias que refletem os momentos futebolísticos; no Armazém das Palavras, o autor busca na poesia a compreensão dos atos políticos e o sonho de cidadania; na A Palavra do Nome o autor faz alusão ao sentido de sua criação e em cada poema nos faz sentir vivos e no O Poeta e as Palavras ele expressa, “São ásperas / as palavras / de outra forma / soariam falsas // são curtas / as frases / fossem longas / perderiam o efeito / e a graça // são longos os parágrafos / maciços textos / onde a luz não é vislumbrada / enquanto não chegarem ao final // não há revelação / apenas ideias e vidas / expressadas”.

                As palavras são curtas e longas; leves e pesadas; coerentes e incoerentes; decifráveis; curiosas e banais; doces e amargas; bonitas e feias; silenciosas ou barulhentas, mas legítimas suas ações, por isso têm suas vezes...