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OS MISTÉRIOS entre VER e OLHAR

por Tânia Du Bois

 

         

          Qual é a diferença entre ver e olhar? Existindo diferença, ela é sorvida pelo fio da lucidez que, por vezes, altera as imagens e revela a condição humana.

               Olho só para a luz que mostra o que quero ver? Ao olhar para algo, trago para perto de mim. É o caso de Israel Nicolay que volta o seu olhar para o ferro-velho, com a intenção de encontrar uma peça para transformá-la em bicicleta. Ele é inventor e artista plástico. Seu maior prazer é construir bicicletas (já inventou 88). Tudo começou quando viu um estrado de cama no ferro-velho e logo imaginou uma bicicleta. Desde então suas buscas não tem fim; olha e vê a peça certa para realizar sua obra de arte.

               Entre ver e olhar sigo confiante de que certo olhar atrai mais, porque nele descubro a resposta que procuro. Ver é apenas a reação que serve para identificar os mistérios do mundo de forma diferenciada.

               Quando olho para uma obra de arte digo que estou lendo a imagem e, quando vejo a arte, estou passeando pela ideia do autor. A experiência adquirida é que mantém o mistério entre ver e olhar.

            Meu caminho é construído por imagens que contam a história. Com o olhar posso ver o que se revela em cada cena. Somos todos iguais, mas, ao franzir os olhos aprendo que não é preciso ter para ser. É preciso entender cada olhar, o silêncio e o que está por trás das cenas da vida.

               Volto meu olhar para o ano de 1870, onde encontro o primeiro palhaço negro brasileiro. Seu nome, Benjamin de Oliveira, acrobata, produtor e ator; dramaturgo e instrumentalista; considerado um dos precursores do circo-teatro no país. Escreveu as peças Vingança Operária, Matutos de Cidade e A Noiva do Sargento, e as encenou no picadeiro. Também, em 1908, dirigiu um dos primeiros filmes do cinema brasileiro Os Guaranis. Benjamin com seu olhar criativo formou sua imagem intelectual. E, sem dúvida, vejo com emoção os sentimentos longe dos preconceitos..

               Por que muitas vezes o que olho não é o que vejo? Se busco a imagem como resultado dentro do contexto, olho com o coração; em outras vejo com a razão. Ambos os gestos revelam puro mistério, talvez por ser tomada pela vontade de selecionar o fato que me levou à inverdade do ato. Como se me censurasse ou me submetesse a um olhar maior; como se não estivesse olhando para dentro, mas, vendo apenas o lado de fora. É como aprendi: ver o que é melhor para mim.

               Sob o prisma do mistério, o olhar simbolicamente compõe a paisagem ao captar nuances e diversidades nas cenas da vida. Contudo, não apenas reitero o desejo de ver, como torno o registro do olhar na representação do que me revitaliza e relembra a busca incessante pelo novo e desconhecido.