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VIVER TEM PREÇO

por Tânia Du Bois

 

 

“Tudo entre parênteses / (a) / - até minha vida” (Vera Casanova)

 

         

          É preciso ter tempo para se envolver com a vida, entre desejos, interesses e necessidades. Por isso, buscamos a forma, a medida para entrar no movimento e nos dedicar as tarefas com o instinto de sobrevivência. Questionamos: se viver tem preço, qual é o nosso?  Máscara sobre máscara? O gosto amargo na boca? A impunidade? A desumanidade? A insatisfação? Violentar a linguagem? A voz do silêncio? A paisagem de cimento? Para Carlos Higgie, “... Quanto vale uma vida humana? num mundo com tantos bilhões de seres humanos, uma simples vida parece valer pouca coisa. Quase nada...”.  Lia Luft, no livro O Lado Fatal, mostra o preço a ser pago.

          Tudo é questão de medida; o que importa é conquistar o tempo. Ele é o preço que pagamos para viver; o relógio não para com seu tic-tac; o sangue corre nas veias no viés vivencial entre o ar que vem na contramão do desejo e se alastra no dia a dia.

          Dependemos do tempo para estar aqui e ali, onde o preço são frases escritas, que muitas vezes se desenham na agonia do estampido; o sentimento ante a infelicidade e o murmúrio das ondas do mar. Parece muito? Ainda, arcamos com o preço quando vemos a vida no cotidiano e não percebemos o dia diferente; o quadro na parede; as sombras se movendo e os olhos dizendo “eu te amo”. Nas palavras de Valmor Bordin, “... Afago em números / Há espaço em ti / para um poema?”

          Na outra face da moeda, o preço alto é o do vazio; do livro fechado; da voz estrangulada pela emoção do amor entre estilhaços da dor; das cartas com ponto final; dos vícios como liberdade e do calor solar através da vidraça. Vera Casanova demonstra que “...Quando os anos marcam / nosso corpo, / com as dobras, as veias, / as rugas, o saber sobre as coisas enobrece. / Caminhos percorridos / às vezes adiados / nem sempre contados. / Memória do viver”.

        Sem contar que nos esforçamos pagando preços diferentes pelo caminho em que semeamos fragmentos que afetam a vida e revelam impulsos interiores, forças contrárias e gritos de pressão sobre como vemos as horas. Ainda em Vera Casanova, “...busco a fresta da janela / para respirar / ou quem sabe me inspirar ou expirar o silêncio / das coisas ditas pelo avesso”.

          As horas passam rápidas ou usamos mal o tempo? Temos tempo para realizar o que julgamos importante? Olhamos o tempo com o coração, para espalhar a paixão, as ideias e o sonho, mas, nem sempre questionamos os valores como algo cortante, como revela Paulo Monteiro, “logo as portas do cadafalso se abrirão / e não mais serei escravo de ninguém / voarei como um pássaro / nem sei para onde...”

          O tempo é paradigma quando dizemos sim a tudo e ao nada. Em alguns dias vivemos das memórias; em outros, do presente; em ambos pagamos o preço para glorificar o melhor e o pior da nossa vida, como em Vera Casanova, “... nesse redemoinho do tempo / vou anunciando as vozes / do passado e do presente. / Na escritura desses traços / nessa encruzilhada dos tempos / vamos deixando os restos / de nossos eus outros”.