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ARMAS

por Tânia Du Bois

 

          Como sabemos, as armas foram liberadas para uso comum/doméstico. A ideia é estranha, mais parece o prolongamento dos desencontros na espetacularização do horror em quem for manusea-las. Como descreve Arnaldo Antunes, “... aqui / hoje / eu vi / aterrorizado / um artista ser assassinado / Moa do Catendê, / mestre de capoeira, / autor do Badavê - / por conta de uma divergência política num bar / da Bahia...”.

          Obviamente, o impacto emocional atinge níveis extremos nesse problema, que reside justamente na graduação da violência.

          É irônico, pois, não há nada que corresponda à segurança e à paz ao guardarmos armas em casa ou as portar pelas ruas. É decisão engenhosa, implicante e perigosa que se reflete e se revela em cenas de horror no dia a dia.

          Na medida em que a posse e o porte das armas são liberados, tudo se torna pior ao acelerar e incentivar o extermínio, pelo poder dado a quem se permite transitar com alguma arma na mão. Como diz Arnaldo Antunes, “... enquanto constatamos cada vez mais / que sim / é assim / que é / como li por aí: “como explicar a Lei Rouanet para quem ainda não assimilou a Lei Áurea?”...” querem matar atirar vingar / a quem? em nome de quem?...”.

          Impossível ir mais longe. É estranha a falta de sentido, sentimento e razões do ser humano sair armado. Então, pergunto: como é sentir a nossa vida em perigo? Como nos defenderemos daqueles que portam armas? O que virá em seguida? Antunes expressa, “... os valores perdem o valor / a vida perde o valor / Marielle / remorta remorrida rematada / pelas mãos truculentas... / que redemonstra sua monstruosidade.../ mas não saciados / de todo o sangue / de inocentes...”.

          Nada consegue explicar a distorção no raciocínio de quem permite liberar armas aos cidadãos. É situação “sem pé nem cabeça”. Pesadelo que não será interrompido. Estilo desesperador ao transformar alguém em “tira” de última categoria.

Assim, a mentira, a falta de caráter e o comportamento fascista estarão ao alcance de quem adquirir as armas. Arnaldo alerta, “... armar a população / para metralhar os adversários //... os do outro lado / os que se manifestam / ou contestam //... qualquer pretexto / que se crie / para espalhar o ódio, o horror... / pois a omissão é missão impossível //... mascarar o sol / da ameaça... / nenhum arrependimento será / capaz de reparar / quando for tarde demais...”.