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BANDIDA MALDADE

 

por Tânia Du Bois

 

               Para Maite Larrauri, “Tanta banalidade e tantos lugares – comuns sem qualquer importância evidenciam uma grande ausência de autenticidade... é apenas um ser humano pequeno e medíocre”.

               O que leva a pessoa a praticar a maldade? Por que ela parece ser incapaz de distinguir entre o bem e o mal? Questionar a origem do mal induz a pensar nas atitudes humanas como conjunto de significados: gestos e palavras que expressam a vontade de cada um, como encontro no livro de Mia Couto, Cada Homem É Uma Raça: prosa poética que encanta pela sensibilidade descrita, a exuberância da paisagem e a linguagem que dá origem aos mistérios.

              Sem dúvida, está disponível o instrumento “simbólico” para praticarmos, em algum momento da vida, o mal e o bem. No entanto, quando pensamos não carregamos a verdade, mas a liberdade de escolhermos entre a ação e a influência de outros. Segundo Hannah Arendt, ”Pensar e agir são duas coisas completamente diferentes, mas podem ser encontradas juntas em algumas ocasiões”. Isso significa que, emitimos e julgamos a validade das palavras e ações, quando há algo para decidir. Muitas vezes, o pensamento é demolidor, por desfazermos os valores sem qualquer crédito; sem a fonte e o conhecimento; assim, destruímos sem refletir.

               Dessa maneira, tornamos perigoso o porquê caminhamos para a contemplação do mal; por consequência, viveríamos nas sombras e sem memória, o que nos levaria a tempos escuros; como em Eduardo Barbossa, “Quão miserável posso ser? / Em que gueto posso me esconder? / Se meu pai não me deu valor: quem dará? / Se minha esposa não me ouve: quem ouvirá? // De tantas palavras vagas e atos falhos / me fiz homem. // Por omissão e alienação / meus dias somem”.

               No mundo dos sentidos, quando temos consciência dos atos, resolvemos questões rotineiras com lógica; quanto mais pensamos menos erros cometemos. Agora, cuidado, por que se não tivermos tal consciência, não nos importaremos em conviver e praticar a maldade. Alain Bosquet descreve, “... Sinto-me humilde: / o meu universo não é mais belo / do que um poema perdido”.

               Neste mundo da diversidade, parece que o mal é praticado e premiado ao ser ampliado pela opinião pública, por exemplo, um político, quanto mais corrupto, mais votado! Essa é uma das banalidades do mal, onde o confronto de opiniões plurais nos leva a entender “a razão do abismo” e das aparências como pura ilusão e falsidade. Mia Couto reflete, “Tenho duas pernas, uma de santo, outra de diabo. Como posso seguir um só caminho?”

               Se em algum momento a maldade for aplicada ou utilizada como padrão e verdade estaremos perdidos; acabará a ética e, junto, a reflexão sobre a ação do homem em relação à vida.

               Hannah Arendt, que criou conceitos para a filosofia política – como a banalidade do mal – constatou que grandes atrocidades são cometidas por pessoas normais que, apenas, não se preocupam em questionar as regras a que, em determinadas situações, estão submetidos. Nas palavras de Pedro Du Bois, “A você dado o direito de desconfiar / das flores coloridas. / Nos muros altos é permitido colocar cacos de vidros: / fazer sofrer em angústias e insônias. //... O direito de privilegiar / o supérfluo e esquecer entre páginas a razão. / Irracional, o direito concedido abomina / a aventura de ser a pessoa em busca / da irrealidade”.